“Sorte” e “oportunidade” foram palavras poucas vezes vistas durante os relatos de empresários durante a pandemia, mas Samuel Mota consegue uni-las em frases muitos próximas para falar sobre a própria experiência na fase de retoma. Convencido de que “há sempre coisas além” para descobrir e ideias por colocar em prática na gastronomia, o chef natural de Porto de Mós assume as perdas que teve durante o tempo em que fechou as portas do lisboeta Casa Tradição, mas revela ter encontrado “um diamante por polir” como solução.

“Nós temos que nos redescobrir”, defende. “Há sempre alguma coisa que podemos fazer para contornar as necessidades”, diz o cozinheiro, que tinha apenas três meses de restaurante a funcionar na Alfama quando foi tomado pelos efeitos da Covid-19 na restauração.

Nove anos após ter saído da região centro, o jovem afirma ter lançado mão da experiência que acumulou em longas passagens por cozinhas como o estrelado Belcanto, de José Avillez, para ter uma estrutura financeira segura, e “não sofrer tanto” com o impacto da crise.

A resposta veio, como anteviu, da reinvenção: “Nós tivemos a ideia de produzir (algo novo) e chegar com o conceito do restaurante mais longe”, explica a proposta que sustenta o “Em sua casa, tradição”, um serviço com produtos conhecidos do paladar português, mas com alinhamento à cozinha de Mota. Rissóis recheados com camarão de Moçambique, amêijoa à bulhão pato ou robalo exemplificam a lista de salgados e receitas pensadas para serem comercializadas ultra-congeladas e finalizadas em casa.

Produtos do Em sua casa, tradição
Biscoitos, salgados e massas frescas compõem o menu de encomenda

Tal como qualquer novidade, a ideia precisou de maturação. Primeiro porque os canais de venda disponíveis em Lisboa – mercado inicialmente pensado para receber as confeções – não se adequavam bem à comida projetada. Anunciar packs de massa fresca ou croquete de vitela com alheira em plataformas como a OLX “não era o caminho” e foi através de um grupo no Facebook, com cerca de cinco mil pessoas de Porto de Mós, que Samuel fez o arranque do novo negócio, no fim de maio.

“No primeiro dia em que publicámos tivemos um número absurdo de encomendas e percebemos, claro, que fazia sentido”, resume, certo de que o popular “boca a boca” foi o melhor marketing para que chegassem à marca atual de 120 dúzias de produtos encomendados semanalmente, sendo 70% unanimidade para a vila onde nasceu.

“A região tem funcionado sempre com bom volume”, conta, anunciando a Marinha Grande como o mais recente ponto de entrega, a fazer companhia à lista que já inclui Leiria e Batalha. E a ideia é continuar a expansão, sem taxas extras. “Nosso custo de entrega é gratuito”, anuncia, explicando o formato que tem funcionado: “Fazemos um ponto de encontro em cada região e temos um local fixo para entrega”.

Para já, a solução tem sido a “grande alternativa” ao ainda baixo movimento da restauração em Lisboa e tem força suficiente para continuar de forma independente, adianta Samuel. “Para mim vai ser sempre um bom agradecimento pelo o que a região está a fazer por mim”, promete.

Em sua casa, tradição

218 863 053
Produtos e preços: Biscoitos de chá (limão) – 3€ (250g) / Rissóis (camarão, chambão de vitela, robalo, amêijoa e ratatui de legumes) – 6€ a dúzia / Empadas de galinha – 6€ c/ 6 uni. / Croquetes (vitela e alheia) – 6€ a dúzia / Massa fresca – 6€ c/ 2 porções
Localidades: Lisboa, Porto de Mós, Batalha, Leiria e Marinha Grande
Entregas: Semanalmente, em data e local a combinar