Assinar Edições Digitais
Consultório RL

Conjuntivite: É assim tão contagioso?

A conjuntivite é uma doença frequente que afeta pessoas de todas as idades. Nem todas, contudo, tem a mesma origem ou os mesmos riscos para a visão

Joaquim Mira
Oftalmologista
Leiria

“Perante causa infecciosa, deve-se minimizar contacto com o gérmen e o contágio. Além da limpeza frequente das secreções com toalhetes de papel (com utilização única), desinfeção frequente de mãos e objetos partilhados, evicção de atividade escolar e laboral (para minimizar contactos interpessoais), é recomendado não compartilhar toalhas, almofadas, etc”

Existem vários tipos de conjuntivite. Quais são?

Conjuntiva é uma película de tecido fino e transparente que reveste a zona branca do olho (que se chama esclera) e a porção interna das pálpebras. A conjuntivite existe quando a conjuntiva está inflamada (a esclera, isto é o branco do olho, fica vermelha). As conjuntivites podem ser classificadas em infecciosas bacteriana, vírica, por clamídeas, fúngica ou parasitária neonatais) ou não infecciosas (alérgica, traumática ou mecânica).

Todas são contagiosas?

Não, apenas as infecciosas.

A que se devem e como se transmitem?

As conjuntivites vírica e bacteriana ocorrem por transmissão, com partilha de objetos contaminados (maçanetas de portas, teclados, por exemplo) e contacto interpessoal (apertos de mão, entre outros). A conjuntivite por clamídea é uma doença oculo-genital. As conjuntivites neonatais ocorrem durante o nascimento na passagem no canal de parto. As alérgicas são devidas a reação imune a agentes (pólen, ácaros e outros) e as mecânicas/traumáticas aquando de exposição a tóxicos ou lentes de contacto, por exemplo.

Qual é a mais comum?

A conjuntivite vírica. Está associada a estados gripais, sendo altamente contagiosa.

“Na maioria dos casos a conjuntivite não deixa sequelas, contudo, há situações pontuais. Após conjuntivite vírica pode surgir perda da visão, por opacidades na córnea”

Como se trata?

O tratamento depende da causa. Se forem bacterianas, com antibióticos tópicos. As de origem vírica não têm tratamento específico, apenas lágrimas artificiais. As contraídas por clamídea são tratadas com antibiótico tópico e sistémico. No caso das conjuntivites alérgicas, deve eliminar-se o agente causal (quando identificado), podendo ainda ser utilizados compressas frias, lágrimas artificiais, anti-inflamatórios tópicos e anti histamínicos tópicos e/ou sistémicos. O tratamento das de origem mecânica/traumática passa também pela eliminação do agente.

Que medidas preventivas devem ser tomadas para não agravar a infeção?

Perante causa infecciosa, deve-se minimizar contacto com o gérmen e o contágio. Além da limpeza frequente das secreções com toalhetes de papel (com utilização única), desinfeção frequente de mãos e objetos partilhados, evicção de atividade escolar e laboral (para minimizar contactos interpessoais), é recomendado não compartilhar toalhas, almofadas, etc. No caso de conjuntivites alérgicas, não coçar os olhos, pois este ato pode originar lesões na parte anterior do olho (córnea).

Quais os riscos de uma conjuntivite para a saúde do olho?

Na maioria dos casos a conjuntivite não deixa sequelas, contudo, há situações pontuais. Após conjuntivite vírica pode surgir perda da visão, por opacidades na córnea. O tratamento consiste em colírios tópicos. Apesar da recuperação frequente da visão, em alguns casos a visão pode manter-se baça por muitos meses. A Chlamydia trachomatis é uma causa rara de conjuntivite, sendo a causa mais frequente de cegueira evitável nos países menos desenvolvidos, mas rara em países ocidentais. A conjuntivite em recém-nascidos requer observação urgente, pois necessita de antibioterapia sistémica.

(Artigo publicado originalmente no Diretório de Saúde 2020 do RL, onde pode encontrar esclarecimentos de especialistas sobre outros temas)