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Cinemas

Documentários Hádoc regressam a Leiria em tempo de pandemia

Cinco filmes escolhidos pela associação ecO são exibidos no Teatro Miguel Franco em outubro e novembro, num convite ao debate e reflexão.

Vários filmes premiados – incluindo dois nomeados aos Óscares – integram a programação do ciclo de documentários Hádoc, que regressa a Leiria entre outubro e novembro.

Inicialmente previsto para os meses de abril e junho, Hádoc teve de seguir um “plano B” assume a organização: devido à pandemia o número de filmes a exibir foi reduzido e as sessões concentradas.

Em 2020, serão apresentados cinco filmes de diversas temáticas, mas a associação ecO – Associação Cultural de Leiria garante que se mantém uma “seleção bastante criteriosa” do “melhor [que] o cinema documental tem para oferecer”.

“Vimo-nos obrigados a formular um plano B. Dos 7 filmes inicialmente previstos deixámos cair 2, por questões de calendário, e apresentamos um modelo diferente dos anos anteriores”, afirma Nuno Granja, um dos coordenadores e programadores de Hádoc, citado numa nota da organização.

Segundo o responsável da ecO, foi necessário encontrar soluções para manter o ciclo porque “faz falta este sentimento de ‘normalidade’ e a sala de cinema continua a ser um lugar mágico”.

Criado em 2012, Hádoc assume-se como proposta de divulgação de cinema documental e espaço de debate e reflexão, indo “ao encontro do público cinéfilo menos identificado com as opções comerciais, através de uma abordagem independente, alternativa e de qualidade”.

As sessões acontecem no Teatro Miguel Franco, em Leiria, com bilhetes a 4 euros.

Programação completa do Hádoc 2020

  • 28 outubro, 21h30
    “Inna de Yard: A Alma da Jamaica
    “, de Peter WebberInna
    “de Yard: The Soul of Jamaica” | 99 min. | França | 2018 | m/12
    Tribeca 2019 – Seleção OficialSidney Film Festival 2019 – Seleção OficialIDFA 2019 – Seleção Oficial

    Uma casa cheia de vinis antigos empoleira-se nas colinas de Kingston, rodeada pela antiga e impressionante paisagem jamaicana, com a sua varanda com vista para as montanhas. Escutamos o som da percussão, alguns acordes de guitarra, metais e piano. As vozes do reggae ecoam pelo ar, elevando-se para as montanhas e animando a Jamaica com a música que a tornou famosa em todo o mundo.Um dos músicos resumem a sua influência na perfeição: “Alguns países têm diamantes, outros têm pérolas. Nós temos a música reggae”. Nesta mesma varanda, juntam-se vozes lendárias do reggae: Ken Boothe, Winston McAnuff, Kiddus I, Cedric Myton, The Viceroys e Judy Mowatt. Conhecem-se desde sempre e a era dourada do reggae deve-lhes muito. Cantaram com os maiores nas traseiras dos guetos, lado a lado com nomes como Bob Marley, Peter Tosh e Jimmy Cliff.Agora, estes músicos lendários querem regressar às raízes musicais, espirituais e políticas da sua arte, passando-a às gerações mais jovens.Isto explica o nome do seu coletivo, um tributo às traseiras e quintais das casas onde o reggae foi inventado, em total liberdade, longe dos estúdios e dos acordos comerciais: “Inna de Yard” significa “no pátio das traseiras”, em patoá jamaicano. Trata-se de uma experiência artística, humana e política que convida o ouvinte a descobrir a verdadeira alma do reggae, bem com das suas personalidades mais exuberantes, as pessoas que o criam, cantam e vivem, e para quem o reggae representa muito mais do que um simples género musical.

  • 11 novembro, 21h30
    Para Sama“, de Waad Al-Kateab e Edward Watts
    “For Sama” | 100 min. | Reino Unido, Síria | 2019 | m/16
    Óscares 2020 – Nomeado Melhor Documentário, BAFTA 2020 – Vencedor Melhor Documentário, Cannes 2019 – Vencedor Melhor Documentário (Prémio L’Oeil d’Or) 

    Para Sama é uma viagem íntima e épica pela experiência feminina da guerra. Carta de amor de uma jovem mãe para a sua filha, o filme conta a história de vida de Waad al-Kateab durante cinco anos de revolta em Alepo, na Síria, ao mesmo tempo que se apaixona, se casa e tem a filha, Sama, tudo enquanto o conflito devastador cresce à sua volta. A sua câmara capta histórias incríveis de perda, alegria e sobrevivência, enquanto Waad luta com uma escolha impossível: fugir ou não da cidade para proteger a vida da filha, quando sair significa abandonar a luta pela liberdade, pela qual já sacrificou tanto.

  • 12 novembro, 21h30
    Máxima“, de Claudia Sparrow
    “Máxima” | 88’ | EUA, Peru | 2019 | m/12
    Hot Docs 2019 –Vencedor Prémio Público, Patagonia Eco Film Fest 2019 – Vencedor Melhor Filme, IDFA 2019 – Seleção Oficial

    “Máxima” conta a história de Máxima Acuña, vencedora do Prémio Goldman 2016, o “Prémio Nobel Ambiental”, uma agricultora de subsistência das montanhas peruanas, que enfrenta uma das maiores empresas de extração de ouro do mundo. Máxima luta ferozmente pelo direito de viver como a sua família vive há centenas de anos. Analfabeta e nascida no seio de uma família de agricultores, para ela, a água e a terra são vida e devem ser sempre protegidas a todo o custo, pois sem elas, é impossível sobreviver.Ao testemunharmos o modo de vida de Máxima, descobrimos como tudo isso corre o risco de desaparecer. Um projeto mineiro de muitos milhões de euros lançado pela Newmont, e parcialmente financiado pelo Banco Mundial, deixou o sustento dela e de milhares de pessoas, bem como as belas montanhas, os lagos e os sistemas aquíferos, em risco de desaparecerem para sempre. Nos últimos sete anos, a Newmont tem alegado a titularidade das terras de Máxima. Sem elas, o milionário projeto de expansão mineira não é possível. A Newmont tem recorrido à violência, à intimidação e aos tribunais para tentar afastar Máxima e a sua família. A vida de Máxima corre perigo iminente. Enquanto acompanhamos a luta de Máxima pela justiça no Peru e nos EUA, revelamos como a Newmont escapa às acusações de crimes ambientais e de violação de direitos humanos, e qual o papel do Banco Mundial em todo esse esquema. 

  • 15 novembro, 15h30
    Não Sejas Parvo“, de Ben Mullinkosson
    “Don’t Be a Dick About It” | EUA | 2017 | 69’ | m/12
    IDFA 2018 – Vencedor Prémio do Público, Docville 2019 – Vencedor Melhor Documentário Internacional

    Dois irmãos adolescentes discutem muito, comem muito e crescem um pouco numa história divertida que olha para as pequenas coisas da vida que nos definem, ou que, no mínimo, nos definem como parvos. Matthew tem aparelho dentário, gosta de futebol e tem um medo extremo e irracional de cães. Peter é obcecado pelo programa “Survivor”, adora a letra “C” e tem pavor de Cheerios, um cereal de pequeno-almoço. Acompanhamos estes dois irmãos enquanto tentam superar os seus medos e aprender a aceitar as diferenças um do outro, mostrando a sua relação de amor pontuada por discussões furiosas. Afinal de contas, são irmãos.Não Sejas Parvo explora as expetativas, a imaginação, os medos e as esperanças de quem é normal e simultaneamente estranho.

  • 15 novembro, 18h30
    “Honeyland – A Terra do Mel“, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov
    “Honeyland” | Macedónia do Norte | 2019 | 90’ | m/12
    Óscares 2020 – Nomeado Melhor Documentário, Sundance 2019 –Vencedor Grande Prémio Júri Melhor Documentário, DocsBarcelona 2019 –Vencedor Melhor Documentário

    Numa região montanhosa e isolada dos Balcãs, Hatidze Muratova vive com a sua mãe doente numa aldeia sem estradas, eletricidade ou água canalizada. Ela é a última de uma longa linhagem de apicultores macedónios, que se sustenta produzindo pequenas quantidades de mel que vende na cidade mais próxima, a umas meras quatro horas de caminhada. A existência pacífica de Hatidze é alvoroçada pela chegada de uma família itinerante, com os seus motores ruidosos, os sete filhos tumultuosos e o seu extenso gado. De forma otimista, Hatidze recebe a promessa de mudança de coração aberto, oferecendo os seus afetos e os seus conselhos de apicultora.Mas Hussein, o patriarca da família itinerante, não tarda a perceber uma oportunidade e desenvolve um interesse em vender o seu próprio mel. Hussein tem sete bocas jovens para alimentar, mas o seu gado não tem onde pastar. Perante este cenário, põe de lado os conselhos de Hatidze para tentar obter o maior lucro possível. Isto causa uma fissura na ordem natural, dando origem a um conflito com Hatidze e expondo a tensão fundamental entre a Natureza e a Humanidade, a harmonia e a discórdia, a exploração e a sustentabilidade. Filme de estreia de Ljubo Stefanov e Tamara Kotevska, Terra do Mel foi filmado ao longo de três anos de colaboração íntima entre os realizadores e Hatidze. O documentário tem a imagem panorâmica de um épico mergulhado numa narrativa inesperadamente dramática e visualmente ambiciosa, com um surpreendente sentido de humor. É um retrato duro e terno de um equilíbrio delicado entre a Humanidade e a Natureza, um vislumbre de um modo de vida em rápido declínio e o testemunho inesquecível da resiliência de uma mulher extraordinária.