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Covid-19

ACILIS pede ao Governo corte de 50% nos impostos para salvar comércio e restauração

Presidente da associação considera situação “crítica e dolorosa” mas recusa manifestações “de baixo nível”.

O presidente da ACILIS – Associação de Comércio, Serviços e Turismo da Região de Leiria defende a redução em 50% da carga de impostos e taxas para ajudar o setor a sobreviver à pandemia. 

O presidente da direção, Lino Ferreira, considera “crítica e dolorosa” a atual situação do comércio e restauração e sugere ao Governo que a carga fiscal e os impostos sobre água, energia, comunicações sejam diminuídos.

“Estamos numa fase muito complicada. Os nossos governantes têm de olhar para isto de uma forma diferente da que têm olhado até agora. Em termos nacionais, o Governo devia fazer uma quebra de 50% em todos os impostos, água, eletricidade, comunicações, rendas, IRC, IRS, Segurança Social… Isso vinha ajudar a maioria dos comerciantes e salvava alguns. Quando a situação retomasse a normalidade, repunha-se progressivamente”, diz o responsável. 

O responsável da ACILIS já apresentou a proposta à Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e considera que o momento atual “não tem tido a melhor resposta do Governo”.

“Não podemos nesta altura difícil estar a gerir clientelismo político. Quando se vê sítios onde a propagação do covid-19 pode ser maior, como as grandes superfícies onde há mais gente por metro quadrado, terem horários diferentes da restauração e comércio de rua, alguma coisa está errada”, acrescenta. 

Segundo o presidente da associação, “quem faz mexer o país e contribui muito para a economia local e nacional é a restauração, comércio e serviços, que são quem emprega mais em Portugal atualmente” e, por isso, “é necessário um apoio direto e muito concreto”.

“Se há dinheiro para o Novo Banco e para a TAP, o Governo tem de olhar para estas situações, que podem acabar com muitas empresas e criar uma situação social muito grave”. 

Lino Ferreira defende também que os ordenados mais altos sofram um corte de um terço, salvaguardando a restituição posterior: 

“É muito difícil para as empresas sobreviverem neste momento. Uma medida importante seria reduzir um terço em ordenados acima de dois mil euros e, quando a economia recuperasse, esse terço seria pago. Mas não se deve mexer nos ordenados mais baixos”.

Em Leiria, a ACILIS foi já desafiada a ir para a rua manifestar-se, como aconteceu recentemente no Porto e em Lisboa com o setor da restauração. Mas o presidente da direção recusa associar-se ao que considera “atividades de baixo nível e ronceirismo”. 

“Já houve abordagens da parte de associados para nos manifestarmos de forma mais ruidosa, mas é preciso ter civismo e não alinhar com o que já aconteceu, que roça a má educação. Não estamos disponíveis para esse tipo de coisas. No momento que vivemos precisamos é de unir e não de desunir”.