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Cultura Exclusivo

O olhar de Nuno André Ferreira numa montra do centro de Leiria

Dez fotografias do fotojornalista de Marrazes podem ser vistas na sede do Café Central, ao ar livre, junto à Igreja da Misericórdia. Em abril, Nuno André Ferreira é confirmado o primeiro premiado de Leiria com o World Press Photo.

A exposição pode ser vista até 15 de abril na sede de Café Central, junto à Igreja da Misericórdia de Leiria Foto: Joaquim Dâmaso

Metade do país já viu a fotografia do presidente Marcelo a confortar um homem que chora copiosamente dentro de uma carrinha, após a tragédia dos fogos de Pedrógão Grande. Este março, a nomeação para o World Press Photo 2021 deu a conhecer a meio mundo a imagem de outro fogo, em Oliveira de Frades, que nos desarma pelo olhar do bebé no banco de trás de um automóvel. São as duas de Nuno André Ferreira, 41 anos, que pela primeira vez expõe em casa, em Leiria – e na rua, ao alcance de todos.

Natural de Marrazes, Nuno André Ferreira deixou Leiria há 16 anos para se fixar em Viseu. Agora, é na montra da sede de Café Central, paredes meias com o Centro de Diálogo Intercultural – Igreja da Misericórdia, que podemos (re)ver aquelas fotografias e uma seleção de outras oito.

A exposição estava prevista ainda antes da nomeação para o World Press Photo, mas esta coincidência permite conhecer melhor o trabalho do primeiro fotógrafo de Leiria premiado pelo prestigiado concurso – com a nomeação, Nuno garantiu um dos três primeiros prémios; no próximo mês vamos saber qual.

Fotojornalista, Nuno André Ferreira trabalha para a agência Lusa, “Correio da Manhã”, “Record”, “Sábado” e “Jornal de Negócios”. Tem, por isso, muito para mostrar. No Café Central procurou não chocar, prescindindo de imagens que “representam bastante”. “Mas não queria que aquela fosse a ‘rua das bruxas’”, explica. No centro histórico de Leiria estão fotografias com “alguma cor e informação”, porque o que faz “é jornalismo”.

Mesmo que abusivamente utilizada nos últimos meses, a fotografia com Marcelo Rebelo de Sousa em Pedrógão Grande – que valeu o Prémio Rei de Espanha 2018 – e a do fogo de Oliveira de Frades eram obrigatórias. As restantes são de outras reportagens e em quase todas há algo em comum: o elemento humano.