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Saúde

Sobrevive-se mais ao cancro mas a incidência continua a aumentar

Sabe quais são os tumores malignos mais prevalentes em Portugal? Conheça os principais sintomas e fatores de risco associados

Os números são frios e retratam uma dura realidade. A incidência (surgimento de novos casos) de tumores malignos vai aumentar e a mortalidade também, muito por força do envelhecimento da população, associado a fatores genéticos e ambientais mas também a estilos de vida pouco saudáveis.

Ainda assim, há esperança. A taxa de sobrevivência – número de indivíduos vivos com diagnóstico de cancro – tem vindo a subir e o cancro deixou de ser uma doença fatal. É cada vez mais uma doença crónica e até curável.

Cerca de 167 mil mamografias foram realizadas em 2020 em Portugal no âmbito do programa de rastreio do cancro da mama da Liga Portuguesa Contra o Cancro Fotografia de arquivo: Joaquim Dâmaso

Estima-se que em cerca de 350 mil o número de sobreviventes de cancro em Portugal. Contribuem para isso ações de prevenção, rastreios e deteção precoce, melhor diagnóstico e melhores tratamentos.

Os dados mais promissores reportam-se ao cancro da próstata em que a taxa de sobrevivência rondou, entre 2010 e 2014, os 91% em Portugal , e ao cancro da mama que se aproximou dos 88%.

Segundo estudos do Cancer Survival Group da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, seguem-se os cancros do cólon e do reto, com uma taxa de sobrevivência próxima dos 60%, e do estômago, com 32,2%.

Embora com uma taxa bastante mais reduzida, a sobrevivência entre os doentes com cancro do pulmão e do pâncreas tem subido paulatinamente entre os anos 2000 e 2014 de 10,6% para 15,7% e de 8% para 10,7% , respetivamente.

Um maior investimento na investigação das diversas patologias, a inovação científica ao nível dos tratamentos e um maior acesso aos cuidados de saúde têm sido também preponderantes na luta contra a doença oncológica, a segunda principal causa de morte no mundo.

Calcula-se, em contrapartida, que 30 a 50% das mortes por cancro poderiam ser prevenidas com a adoção de estilos de vida mais saudáveis, com destaque para a cessação tabágica, redução do consumo de álcool, alimentação saudável e peso equilibrado, prática regular de exercício físico, redução da exposição solar e prevenção de infeções.

No ano passado, e de acordo com os dados mais recentes do Observatório Global do Cancro (Globocan) da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), terão sido diagnosticados 60.467 novos casos de cancro em Portugal. Um número que poderá crescer para 70.700 (mais 17%) em 2040, de acordo com as previsões da progressão da doença a 20 anos.

Cancros do pâncreas, mama, pulmão, próstata e colorretal ao pormenor

Com uma prevalência a rondar os 169.550 casos, as doenças oncológicas terão causado no ano passado 30.168 mortes em Portugal.

O cancro colorretal foi o que registou maior incidência com 10.501 novos casos (17,4% de um total de 60.467), seguindo-se o da mama com 7.041 casos (11,6%), o da próstata 6.759 (11,2%), o do pulmão 5.415 (9%) e o do estômago 2.950 (4,9%).

Já o cancro do pulmão continua a ser o mais mortal, sendo responsável por 18% do total de mortes por cancro, seguindo-se o colorretal (9,4%), do fígado (8,3%), do estômago (7,7%) e da mama feminino (6,9%).

Sinais de alerta: esteja atento e procure o seu médico em caso de dúvida

A maioria dos cancros desenvolve-se silenciosamente, sendo demasiadas vezes diagnosticados tardiamente. Alguns sintomas podem contudo indiciar que algo não está bem. Em caso de dúvida, consulte o seu médico.

  • Perda de peso inexplicada
  • Falta de apetite
  • Fadiga ou cansaço sem motivo
  • Febre sobretudo ao final do dia
  • Dor persistente e localizada sem causa aparente
  • Feridas que não cicatrizam
  • Alterações do trânsito intestinal
  • Fezes com sangue ou coloração alterada
  • Dificuldade, desconforto, dor ou ardor ao ingerir alimentos
  • Rouquidão sem razão aparente
  • Tosse persistente
  • “Falta de ar” sem causa aparente
  • Expetoração com sangue
  • Nódulo mamário, testicular, axilar, inguinal, cervical
  • Alterações da pele da mama
  • Alterações mamilares (inversão mamilar, escorrências)
  • Dor persistente ao urinar
  • Urina com sangue ou de cor escura
  • Urinar com muita frequência e sensação de não esvaziamento da bexiga
  • Incontinência urinária sem motivo aparente
  • Perdas de sangue vaginais
  • Lesões na pele com alteração de características

(Artigo e infografias publicados originalmente no Diretório de Saúde 2019 do RL e atualizados)

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