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Leiria

“O essencial é a rega”: como o voluntariado ajuda a salvar as novas árvores da Lagoa de Ervedeira

Na manhã deste domingo, dezenas de voluntários regam centenas de árvores plantadas o ano passado junto à Lagoa

“Se fizermos sempre um bocadinho, funciona melhor”. A frase é de Cláudia, uma das voluntárias que esta manhã emprestaram tempo a regar as árvores que, com o verão à porta, necessitam dela e da água.

E porquê? Para poderem vingar, crescer e inverter a tendência de desaparecimento da zona florestal em redor da Lagoa de Ervedeira, na freguesia do Coimbrão, Leiria.

Veio da Guia, Pombal, e recorda-se do fogo que, em 2017, praticamente dizimou todas as árvores que pintavam de verde as margens e, em jeito de bónus, ofereciam sombra especialmente apreciada em dias de verão. “Viemos quando foi da plantação [das árvores] e faz sentido continuarmos”, reforça Cláudia.

A plantação aconteceu, com ajuda de voluntários, em março do ano passado. O verão e o calor, todavia, mostraram-se inclementes e surgiu a necessidade de regar as frágeis e novas plantas, chegadas a um local com solos pobres e arenosos.  

Engenheiro agrónomo, Licínio Pereira é utilizador frequente do espaço e, nos seus passeios, começou a constatar que, sem que fossem regadas, a esmagadora maioria das árvores teria sentença certa: a morte.

“Comecei o ano passado, faz agora um ano, passava nos meus treinos e via as plantas a morrer à sede”, contou esta manhã Licínio Pereira, ao fotojornalista do REGIÃO DE LEIRIA que acompanhou a ação de rega.

As árvores foram plantadas por diversas entidades públicas, mas “nunca foram regadas”.

Estávamos no início do verão do ano passado: “coloquei mãos à obra e comecei a regar sozinho, o meu filho ajudou uma vez ou duas, e começámos a lançar o apelo aos voluntários e a malta aderiu sempre. Tivemos sempre voluntários a regar, foi ótimo”, recorda.

O ano passado, Licínio Pereira começou a regar sozinho mas o número de voluntários tem vindo a crescer Foto: Joaquim Dâmaso

Esta manhã, na sequência de novo apelo, lançado pelo Grupo de Amigos da Lagoa da Ervedeira (GALE), os voluntários voltaram a comparecer. Seriam cerca de duas dezenas a meio da manhã, mas Licínio Pereira adianta que mais pessoas eram esperadas para colaborar no âmbito da ação deste domingo. 

O trabalho tem sido mais amplo que as ações de rega. “Quanto às plantas que [o ano passado] tinham morrido, replantámos e plantámos ainda mais de modo que de momento temos cerca de 750 plantas, entre pinheiro manso, bravo e medronheiro”, explica o engenheiro agrónomo que iniciou este movimento.

Garante que as plantas têm “aspeto saudável e só dependem da rega para se desenvolverem normalmente”.

“O essencial é a rega”, acrescenta. “Este ano é crucial”, reforça, explicando que é a natureza do solo, arenoso, que faz acrescentar dificuldade à tarefa: estas “são areias rotas, como se costuma dizer, sem matéria orgânica e a capacidade de reter água é quase zero”.

Neste quadro, para que a água chegue de forma mais fácil, os Bombeiros Voluntários de Leiria associaram-se à iniciativa, apoiando-a, facilitando o acesso ao tão precioso líquido.

Ou, como explica Pedro Rosa, membro da corporação, presente esta manhã na ação de voluntariado, “damos apoio à associação que ajuda nos melhoramentos da Lagoa, contribuindo com a nossa vertente de proteção civil, ajudando ao crescimento destas pequenas árvores que, futuramente, darão sombra na nossa Lagoa”.

Um esforço que é plenamente reconhecido por Pedro Feteira, envolvido nos trabalhos desta manhã. O voluntário, vizinho da Lagoa, explica o que o levou a participar: “sou da terra e custou muito quando foi a parte do incêndio”.

Agora, sublinha, “para os nossos filhos e para os que vêm, há que tentar recuperar isto, de forma que fique uma paisagem agradável”.

A aposta passa por recuperar o tom verde que acrescenta beleza e sombra às margens Foto: Joaquim Dâmaso

Pedro Feteira resume a forma como este movimento que mata a sede às arvores que tentam resgatar os tempos passados da Lagoa, tem no voluntariado a seiva que o faz crescer: “no princípio éramos poucos, começamos a ser mais e temos os Bombeiros Voluntários de Leiria que fazem a sua ação e agradecemos por isso”.

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