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Peniche

Devolvidas ao mar na Berlenga raias que ajudaram a estudar sobrevivência à captura por tresmalho

A operação de devolução ao mar ocorreu sexta-feira, dia 15, na zona da Berlenga, Peniche.

Operação decorreu dia 15, junto à ilha da Berlenga Foto:  Projecto PP-centro

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), anunciou esta terça-feira, ter devolvido ao mar sete raias no âmbito de um estudo que pretende perceber a capacidade de sobrevivência da raia-pontuada e da raia-manchada à captura por tresmalho.

A operação de devolução ao mar ocorreu sexta-feira, dia 15, na zona da Berlenga, Peniche.

Esta foi a “primeira ação de devolução ao mar de exemplares de espécies de raia capturados pela pesca comercial e mantidas em cativeiro”, refere o IPMA num comunicado hoje divulgado.

A ação, adianta o instituto, foi realizada no âmbito das experiências de sobrevivência do Projeto PP-Centro (Projecto da Pequena Pesca na Costa Ocidental Portuguesa). Esta atividade foi desenvolvida “em colaboração com o centro de mergulho, JustDive – Blue Academy de Peniche”, acrescenta.

Em concreto, explica o IPMA, foram “devolvidos ao seu habitat natural um total de sete indivíduos, quatro de raia-pontuada (Raja brachyura) e três de raia-manchada (Raja montagui) com comprimento que variou entre 50 e 53 cm”, valor que é “próximo do tamanho mínimo de desembarque, 52 cm”, explica o comunicado.

Estes exemplares agora libertados, tinham sido “capturados com redes de tresmalho durante a faina normal de embarcações da frota artesanal a operar em Peniche” e foram “mantidos em cativeiro nas instalações do IPMA em Peniche”.

A medida visava “avaliar a respetiva taxa de sobrevivência a curto prazo”, o que implicou que se procedesse “à monitorização do estado de saúde dos exemplares por um período que variou entre 3 semanas a 7 meses”, adianta a nota do instituto.

A libertação, que ocorreu dia 15, teve lugar junto à ilha da Berlenga, a uma profundidade de 10 a 12 metros, com um “fundo de areia grossa e rocha” e o local foi selecionado “por estar próximo do local onde os animais tinham sido capturados pela frota comercial”.

Para avaliação da capacidade de sobrevivência a longo prazo, as raias devolvidas ao mar foram marcadas com “spaghetti tags”, com o objetivo de avaliar a sua capacidade de sobrevivência.

Assim, “se por acaso se cruzar com elas debaixo de água ou as pescar, por favor informe-nos”, apelam os responsáveis pelas etiquetas – facultadas pelo projeto DELASMOP da Universidade do Algarve/IPMA.

O alerta pode ser dado, bastando “procurar o número no topo da tag (em mergulho) ou devolver-nos a tag ou o animal inteiro (caso pescado)”.

“As experiências de avaliação da sobrevivência de espécies visam a obtenção de evidência científica para a posterior avaliação de potencial derrogação à obrigação de desembarque dessas espécies no âmbito da Política Comum de Pescas”, adianta o IPMA.

Os resultados já obtidos, explica o instituto, “evidenciam uma sobrevivência elevada de raia-pontuada e de raia-manchada à captura por tresmalho, com posterior devolução ao mar”.

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