Procurar
Assinar

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais

Ecopontos superficiais junto à Fortaleza de Peniche geram discordância

Em causa está o “impacto visual negativo” sobre a Fortaleza de Peniche.

FOTO: Arquivo

População e vereadores da oposição na Câmara de Peniche estão contra a instalação de ecopontos superficiais pelo município junto à Fortaleza, pelos impactos visuais negativos e exigem outra solução, e o instituto público Património Cultural vai pedir esclarecimentos à autarquia.

Na reunião pública de sexta-feira, dia 26, da Câmara de Peniche, público e todos os vereadores da oposição mostraram o seu descontentamento em relação à colocação de oito ecopontos à superfície no Campo da República, na Zona Especial de Proteção (ZEP) da Fortaleza de Peniche.

Todos questionaram o presidente da Câmara, o independente Henrique Bertino, alertando-o para o impacto visual negativo sobre o património da solução e pediram que a reconsidere.

Henrique Bertino admitiu a dificuldade em instalar os equipamentos na cidade por haver património ou ruas estreitas e que a relocalização destes ecopontos se deve a obras previstas para a envolvente da Igreja de Santo António.

O autarca disse que teve “parecer favorável” da DGPC e está “convencido de que é a melhor solução”, justificando que “tem de os meter em algum lado”.

Questionado pela Lusa, o Património Cultural, ex-Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), esclareceu que, entre 2017 e 2022, se pronunciou sobre intervenções previstas em espaço público na ZEP.

Em novembro de 2022, deu parecer “favorável condicionado” ao projeto de beneficiação para o Largo de Santo António e zona adjacente, bem como à relocalização dos equipamentos de recolha de resíduos de acordo com o previsto no projeto, sem qualquer representação gráfica.

“Desde a emissão do referido parecer não se registou qualquer aditamento ao processo, pelo que as soluções implementadas no local não tiveram qualquer aprovação da DGPC”, afirmou.

Para esta entidade, a solução “pela sua dimensão à superfície introduz impactos formais e visuais negativos na ZEP do imóvel classificado, que importa subtrair e minimizar através de um adequado estudo arquitetónico e paisagístico”.

O Património Cultural vai junto do município do distrito de Leiria pedir esclarecimentos e “exigir a célere apresentação de um estudo/projeto, contemplando soluções adequadas do ponto de vista patrimonial”.

Na reunião do executivo municipal, foi explicado que a autarquia introduziu as recomendações da DGPC no estudo urbanístico para a zona, acabou por ter “parecer favorável condicionado” e que a proposta foi aprovada na câmara em junho de 2020.

Citando o projeto, os vereadores do PSD, Filipe de Matos Sales e Cristina Leitão, esclareceram que constava que “poderia incluir uma área destinada a ecopontos” e que a solução passaria pela instalação de ecopontos subterrâneos e não à superfície, o que em termos de “impacto visual é completamente diferente”.

Pressionado pela maioria na Câmara da esquerda à direita, Henrique Bertino comprometeu-se a levar à próxima reunião de câmara uma alternativa, que pode passar pela instalação de ecopontos subterrâneos.

A Fortaleza de Peniche tem estado fechada para obras para aí albergar o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, um investimento de cerca de cinco milhões de euros do Governo.

A Fortaleza de Peniche foi classificada como Monumento Nacional desde 1938, foi uma das prisões do Estado Novo, recebendo presos políticos, entre eles o histórico secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal, em 1960, protagonizando um dos episódios mais marcantes do combate ao regime ditatorial.


Deixar um comentário

Artigos relacionados

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais

Ao subscrever está a indicar que leu e compreendeu a nossa Política de Privacidade e Termos de uso.