O presidente da Junta de Freguesia das Meirinhas, concelho de Pombal, antecipou hoje prejuízos na ordem dos 500 milhões de euros e garantiu que das 180 empresas da freguesia 170 “estão sem telhado” devido à depressão Kristin.
“Neste momento, eu quantifico mais de 500 milhões [de euros] de prejuízo só na freguesia das Meirinhas. Em 95% da minha freguesia as pessoas estão a viver à chuva”, afirmou à agência Lusa João Pimpão, presidente daquela junta.
Segundo o autarca, uma das empresas da freguesia, a Adelino Duarte da Mota, que “fornece 80% da pasta para a cerâmica nacional, tem mais de 30 milhões de euros de prejuízo”.
“A fábrica subiu e rodou [devido ao vento], está em risco a fileira da cerâmica nacional”, avisou, adiantando que na empresa Transportes Central Pombalense “os telhados voaram todos, estão mais de 10 milhões de euros de prejuízo”.
João Pimpão acrescentou que “todas as empresas, mas todas, todas, todas, que têm infraestruturas, têm as máquinas à chuva”, e alertou que se não forem colocados geradores nas maiores empresas da freguesia vai haver “um prejuízo incalculável”.
“Isto está muito, muito, muito difícil, muito duro, isto está uma desgraça, está uma vergonha, está um horror”, relatou, avisando que a freguesia não tem eletricidade, nem telecomunicações.
Quase totalidade das habitações em Pombal com danos
A quase totalidade das habitações do concelho de Pombal sofreu danos devido ao mau tempo, anunciou hoje a Câmara, que avisou que a reconstrução exige um esforço financeiro que ultrapassa a capacidade do município.
“No que respeita ao edificado habitacional, os levantamentos preliminares apontam para danos generalizados em todo o concelho de Pombal, abrangendo as 17 freguesias que o compõem, numa área geográfica aproximada de 626 quilómetros quadrados, com uma incidência que se aproxima da totalidade das habitações, evidenciando a dimensão catastrófica do impacto registado”, referiu a Câmara num comunicado enviado à agência Lusa.
De acordo com este município, “além dos prejuízos já identificados, verificam-se danos de dimensão incalculável, com especial incidência em unidades industriais estratégicas, que têm impacto em setores importantes na economia nacional”, considerando, por isso, “um problema do país inteiro”.
Para a Câmara, a interrupção ou limitação da atividade daquelas unidades “representa um risco sério para a continuidade de cadeias de produção e pode colocar em causa milhares de postos de trabalho, com impactos económicos e sociais que extravasam largamente o âmbito local e regional”.
No mesmo comunicado, a autarquia explicou que “tem, desde a primeira hora, equipas técnicas no terreno a fazer um levantamento exaustivo dos prejuízos e das necessidades”.
“Ainda assim, os levantamentos preliminares indicam que os danos registados em equipamentos e infraestruturas ascendem já a largas dezenas de milhões de euros, refletindo a gravidade da situação e a necessidade de uma resposta financeira robusta e imediata”.
As operações de resposta “encontram-se em curso, envolvendo meios de emergência, técnicos municipais e voluntários, que têm atuado de forma contínua no terreno”.
“Contudo, importa sublinhar que a fase subsequente, a da recuperação e reposição da normalidade, exigirá um esforço financeiro que ultrapassa largamente a capacidade dos municípios, das populações e do tecido empresarial afetados”.