Procurar
Assinar

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais
Presidenciais 2026

Seguro diz que “venceu a democracia”, Ventura diz que só perderá segunda volta por “egoísmo”

Os eleitores são chamados novamente às urnas a 8 de fevereiro. Até lá seguem-se mais três semanas de campanha eleitoral.

FOTO: AJS

António José Seguro, vencedor da primeira volta das presidenciais, considerou que hoje “venceu a democracia” e “voltará a ganhar em 8 de fevereiro”, apelando aos democratas, progressistas e humanistas para que se juntem à sua candidatura para “derrotar extremismos”.

“Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como Presidente da República. Com a nossa vitória, venceu a democracia e voltará a ganhar no dia 08 de fevereiro”, disse António José Seguro no seu discurso de vitória na primeira volta das presidenciais.

O candidato apoiado pelo PS convidou todos “os democratas, progressistas e humanistas” a juntarem-se à sua candidatura, para que na segunda volta, unidos, se derrote “os extremismos e quem semeia ódio”.

Seguro entrou na sala do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha em ambiente de festa, tendo percorrido os corredores do anfiteatro cheio ao som dos cânticos com o seu nome, subindo ao palco com a sua família.

Instantes antes quem discursou foi André Ventura, no Hotel Mariott, em Lisboa.

O candidato presidencial e líder do Chega considerou que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais “por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita”.

“Só perderemos estas eleições por egoísmo do PSD, IL ou de outros partidos que se dizem de direita”, afirmou André Ventura, numa sala com mais de trezentos apoiantes, depois de os resultados das eleições presidenciais indicarem que irá disputar uma segunda volta com António José Seguro, apoiado pelo PS.

FOTO: Pedro Pina/RTP

Ventura falava depois de o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, ter anunciado que o seu partido não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições, após ter apoiado Luís Marques Mendes na primeira volta.

O também líder do Chega considerou que os resultados mostraram que a sua candidatura vai “liderar o espaço não socialista em Portugal”.

André Ventura considerou que “o país despertou” após este sufrágio e que os eleitores lhe confiaram a alternativa ao socialismo “que destrói”.

“A direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a liderança dessa direita em Portugal”, sublinhou.

Com 31,1% e cerca de um milhão de 700 mil votos, Seguro terá conseguido fixar não só os votos do PS, que liderou entre 2011 e 2014, mas da esmagadora maioria dos eleitores da esquerda, deixando os candidatos apoiados pelo Livre, BE e PCP, que nas legislativas somavam 10%, com uma votação residual, na casa dos 4%.

O antigo secretário-geral socialista foi mesmo o grande vencedor da noite, não apenas por ter concentrado os votos da esquerda, mas por ter partido para a eleição presidencial com sondagens adversas que o colocavam quase sempre atrás de candidatos como o almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo, o primeiro a aparecer como favorito, ou Luís Marques Mendes, que a determinada altura era o mais bem colocado nos estudos de opinião.

No final da noite, Seguro procurou alargar o leque dos seus apoios para a segunda volta, recuperando a máxima de Mário Soares e prometer que será “o Presidente de todos os portugueses” e afirmando que recebeu votos “oriundos de todos os campos políticos”, o que “reforça o caráter independente da candidatura”. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como Presidente da República”, acentuou.

André Ventura foi o outro vencedor da noite eleitoral, apesar de ter falhado o objetivo de vitória na primeira volta reiterado na campanha eleitoral. Com 23,5% e cerca de um milhão e 300 mil votos, Ventura conseguiu, aparentemente, fidelizar o eleitorado do Chega nas últimas legislativas (1,43 miçhões de votos) e partir para a segunda volta a reclamar o papel de líder da direita em Portugal.

“Eu vou agregar a direita a partir de hoje”, repetiu Ventura durante a noite eleitoral, aproveitando a brecha entreaberta pelo líder social-democrata e primeiro-ministro, Luís Montenegro, que não perdeu tempo para indicar que “o PSD não emitirá qualquer indicação de voto” na segunda volta das presidenciais.

No confronto agendado para 8 de fevereiro, António José Seguro apresentar-se-á com o apoio do PS e de toda a esquerda contra André Ventura, que apesar de reivindicar a liderança da direira, terá apenas o apoio do Chega. Independentemente dos partidos, muitas figuras deverão assumir opções para a segunda volta, como aconteceu com o ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro, na RTP, e José Pacheco Pereira, na TVI, ambos manifestando o apoio a António José Seguro.

João Cotrim Figueiredo, ex-líder da Iniciativa Liberal, apesar de ter quase triplicado o resultado do seu partido nas últimas legislativas, teve uma noite agridoce, uma vez que falhou o seu principal objetivo de disputar a segunda volta.

Após uma campanha quase sempre em crescendo, embora com dois momentos embaraçantes – quando admitiu apoiar Ventura na segunda volta e quando foi acusado de assédio sexual por uma ex-assessora da IL – Cotrim alimentou sempre a esperança na segunda volta, hipótese que viria a gorar-se na noite eleitoral. Apesar de ter admitido apoiar Ventura durante a campanha, Cotrim Figueiredo seguiu a batuta de Luís Montenegro e anunciou que não endossaria o voto para a segunda volta das presidenciais.

Luís Marques Mendes foi o principal derrotado da noite, tendo em conta que era o candidato apoiado pela coligação que suporta o Governo, PSD e CDS-PP, e chegou a aparecer em primeiro lugar nas sondagens. Mas o ex-ministro social-democrata ficou em quinto, com 11,3% e pouco mais de 630 mil votos, embora na eleição presidencial mais disputada de sempre, com 11 candidatos. “A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha”, assumiu Marques Mendes, que também decidiu não apoiar qualquer candidato na segunda volta.

Henrique Gouveia e Melo, o almirante na reserva que chegou a ser tido por comentadores como futuro Presidente quando aparecia destacado nas sondagens, ficou-se pelo quarto lugar, com 12,3% e pouco menos de 700 mil votos. Gouveia e Melo assumiu que os resultados ficaram aquém dos seus objetivos, mas avisou que o país continuará a contar com a sua “participação cívica”.

Também uma derrotada pesada tiveram os partidos à esquerda do PS – Livre, PCP e BE – cujos candidatos Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins não ultrapassaram uma votação residual, que toda somada andou nos 4%. Catarina Martins obteve 2%, António Filipe 1,6% e Jorge Pinto 0,6%, este último com menos votação do que o músico Manuel João Vieira (1,08%).


Deixar um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos relacionados

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais

Ao subscrever está a indicar que leu e compreendeu a nossa Política de Privacidade e Termos de uso.

Artigos de opinião relacionados