A vice-presidente da Associação Comercial e Industrial da Marinha Grande (ACIMG) disse temer uma crise económica e desemprego no concelho.
“Temo isso [crise económica], até porque a indústria dos moldes já estava a atravessar uma fase menos boa, a iniciar algumas dificuldades, e agora vieram juntar-se todos os outros sectores”, afirmou à agência Lusa Susana Santos.
Destacando que no concelho o desemprego “praticamente não existe” ou tem “percentagens muito residuais”, Susana Santos receia que no futuro possa ter outros números.
“Era fundamental que estes apoios viessem, nomeadamente da parte governamental, porque, se assim não for, vai haver desemprego”, declarou a dirigente da ACIMG.
Catorze dias depois de o concelho ter sido atingido pela depressão Kristin, a ACIMG, que conta com cerca de 500 associados, ainda não consegue quantificar prejuízos.
“Os nossos associados têm vindo a contactar-nos e nós também a estabelecer contacto, para aferir a dimensão dos estragos”, explicou Susana Santos, dando conta das dificuldades que empresários estão a ter para obter orçamentos ou que ainda estão sem comunicações.
Por exemplo, a ACIMG ainda não tem a “perceção exata” dos danos na Vieira de Leiria e Praia da Vieira, “porque as comunicações ainda estão difíceis”, assim como o restabelecimento da eletricidade.
“Contudo, percebemos que eles [empresários] estão, à medida que o tempo vai avançando, um bocadinho em pânico, porque não sabem para onde se hão de virar e como é que vão recuperar, no sentido de se reerguerem, porque os apoios existem, mas são escassos, no sentido até da forma como estão a chegar às empresas”, considerou.
Descrevendo o impacto da depressão Kristin como tenebroso e alucinante, Susana Santos prevê “uma recuperação muito difícil”, esclarecendo que o papel da ACIMG passa também por informar e tranquilizar.
“Estamos a fazer tudo para que [os empresários] não desistam, mas temos essa sensação de que alguns querem desistir. A dificuldade é que, mesmo que os apoios existam, que existem, escassos mas existem, vão demorar algum tempo até chegar aos empresários, quer seja da banca, quer seja dos seguros, quer seja os apoios governamentais”, adiantou.
A dirigente exemplificou que, no caso do ‘lay-off’ (suspensão dos contratos de trabalho) e apoios da Segurança Social, “só ontem [segunda-feira] é que estiveram disponíveis”.
“Às vezes, até as próprias instituições não nos sabem esclarecer se aquela situação é elegível ou não”, referiu Susana Santos.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.