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Sociedade

Câmara de Alvaiázere pede desesperadamente mais bombeiros

“Vemos por essa região fora e também noutras regiões vizinhas corporações de bombeiros a apoiarem os bombeiros dos territórios que foram afetados. Em Alvaiázere, já pedimos e pedimos e pedimos e ainda não tivemos apoio de nenhuma corporação de bombeiros”, disse João Paulo Guerreiro.

João Paulo Guerreiro lamenta a falta de apoio de bombeiros de fora do concelho

O presidente da Câmara de Alvaiázere pediu esta segunda-feira “desesperadamente apoio de bombeiros”, porque os da corporação local estão exaustos.

“Os nossos bombeiros voluntários têm sido exemplares, têm estado com elevada disponibilidade todos os dias, mas estão a ficar exaustos. Vemos por essa região fora e também noutras regiões vizinhas corporações de bombeiros a apoiarem os bombeiros dos territórios que foram afetados. Em Alvaiázere, já pedimos e pedimos e pedimos e ainda não tivemos apoio de nenhuma corporação de bombeiros”, disse à agência Lusa João Paulo Guerreiro.

Afirmando perceber que nas regiões afetadas pela depressão e agora pelas cheias exista uma forte pressão, o autarca notou, contudo, que “parte do país, nomeadamente a zona sul, ainda não está em risco de sofrer nenhum tipo de devastação parecida” como a de Alvaiázere, pelo que pede “desesperadamente apoio de equipas de bombeiros” para o concelho.

“Desde a madrugada do dia 28 [de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu a região], que só estamos a trabalhar com os nossos bombeiros e alguns militares que nos têm dado uma ajuda imensa, mas que são valências complementares e diferentes, e os nossos bombeiros precisam de algumas horas, de alguns dias de descanso”, adiantou o presidente do município.

João Paulo Guerreiro declarou ter feito este “apelo a todos os níveis”, na estrutura da Proteção Civil e no Governo.

“Faço-o publicamente, porque neste caso não se trata de respeitar cadeias ou de desrespeitar cadeias, é uma questão de solidariedade e de muita preocupação com estes homens e mulheres que fazem parte do corpo dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere”.

Adiantando haver registo de um bombeiro ferido e, além da exaustão física, há a psicológica, o autarca reiterou o “apelo desesperado” e pediu que “haja solidariedade entre as várias regiões e que alguma corporação ou várias corporações de bombeiros possam vir à Alvaiázere”.

“Fisicamente, é devastador o trabalho que eles têm feito e psicologicamente, como estão na sua própria terra a ajudar pessoas que eles conhecem, também não é fácil”, alertou.

O autarca declarou que a situação no concelho se mantém muito preocupante, havendo já 30 desalojados.

Funcionários do município, das juntas de freguesia e bombeiros de Alvaiázere continuam no terreno “a terminar os serviços de obstrução”, referiu.

“Neste momento, já temos mais de 50% do concelho com energia elétrica, em termos de comunicações ainda estamos numa situação muito debilitada”, esclareceu, acrescentando que a “grande preocupação” é apoiar pessoas e empresas na “reparação dos danos enormes causados”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até domingo.


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