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Câmara e Juntas de Freguesia de Leiria escrevem carta aberta à E-Redes a exigir explicações

Na próxima segunda-feira, dia 9, realiza-se uma vigília, às 20 horas, na fonte luminosa, em Leiria, numa ação de solidariedade para com as pessoas que não têm eletricidade e de homenagem às vítimas mortais.

FOTO: Joaquim Dâmaso

A Câmara de Leiria e os 20 presidentes de Juntas de Freguesia do concelho de Leiria escreveram hoje uma carta aberta ao presidente do conselho de administração da E-Redes, onde exigem que os lesados sejam compensados pelos danos da interrupção da energia causada pela depressão Kristin, mas também pela falta de informação objetiva da E-Redes.

No documento é dado nota que já passaram 11 dias desde que a depressão Kristin atingiu o concelho de Leiria, permanecendo, à data de hoje, “ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais”.

“Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade”, revela a carta, que foi lida por Gonçalo Lopes, numa conferência de imprensa, hoje, aos jornalistas.

Reconhecendo “o esforço técnico das equipas no terreno”, os autarcas afirmam que, “num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica”.

Defendem que “as populações têm o direito de saber qual o ponto de situação concreto em cada freguesia, que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço, que critérios orientam as prioridades de intervenção, que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adotadas para os ultrapassar e que medidas de mitigação estão a ser acionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível”.

“A falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono”, acrescentam.

“Além dos prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente”, adiantam.

Por outro lado, referem que são os autarcas que recebem, “diariamente, as chamadas, as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem eletricidade”.

“É, por isso, nossa responsabilidade institucional exigir que a informação circule com transparência, regularidade e previsibilidade”, dizem.

Nesse sentido, consideram indispensável a divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização ou a criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o município e juntas.

Pedem ainda a “definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade”, e a “presença regular de responsáveis da E-Redes” no concelho.

Após ler a carta aberta, Gonçalo Lopes anunciou a realização de uma vigília, na segunda-feira, às 20 horas, na fonte luminosa, em Leiria, sob o mote “11 dias sem eletricidade – Exigimos resposta”, e visa alertar para o impacto social e económico desta situação, apelando a uma resposta célere e eficaz por parte das entidades competentes, numa ação de solidariedade para com as pessoas que não têm eletricidade e de homenagem às vítimas mortais.

Aos jornalistas, o presidente da Câmara de Leiria declarou “a ausência de informação cria ansiedade” e “incapacidade de planear o regresso à vida quotidiana, seja de empresas, mas sobretudo de pessoas a nível individual”.

Gonçalo Lopes alertou que “tem vindo a crescer o nível de insatisfação por parte das populações” e de “saturação psicológica”, sendo necessária uma “visão humanista” da E-Redes.

“Se os portugueses tiveram a experiência durante 12 horas, aquando do apagão [28 de abril de 2025], imaginem o que é que estas pessoas estão a sofrer com [quase] 12 dias ininterruptos sem eletricidade em casa”, acrescentou.

Ontem, também no concelho de Pombal se realizou uma manifestação da população a exigir respostas.

Leia aqui a carta aberta enviada hoje pelos autarcas do concelho de Leiria:

CARTA ABERTA À E-REDES

Exmo. Senhor Presidente do Conselho de Administração da E-REDES,

A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia do concelho, reunidas hoje, dia 7 de fevereiro de 2026, dirigem-se publicamente a V. Exas. num momento particularmente exigente para o nosso território e para milhares de cidadãos que continuam privados de um serviço essencial.

Passaram já 11 dias desde o fenómeno meteorológico extremo que atingiu o concelho de Leiria e, à data de hoje, permanecem ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais.

Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade.

Reconhecemos o esforço técnico das equipas no terreno e temos plena consciência da dimensão excecional dos danos causados. Contudo, a preocupação que hoje expressamos vai além da reposição física do serviço. Prende-se com a ausência de informação clara, regular e territorializada, mas também com a insuficiência de medidas de mitigação que permitam minimizar o impacto prolongado da interrupção do fornecimento de energia elétrica.

Num contexto de emergência, sendo a E-REDES um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica.

As populações têm o direito de saber:
– Qual o ponto de situação concreto em cada freguesia;
– Que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço;
– Que critérios orientam as prioridades de intervenção;
– Que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adotadas para os ultrapassar;
Que medidas de mitigação estão a ser acionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível, designadamente no que respeita à disponibilização de geradores ou a outras soluções temporárias.

A falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono.

Para além dos prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente.

Enquanto autarquia e enquanto juntas de freguesia, somos o primeiro rosto institucional junto das populações. Somos nós que recebemos diariamente as chamadas, as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem eletricidade. É, por isso, nossa responsabilidade institucional exigir que a informação circule com transparência, regularidade e previsibilidade, e que existam mecanismos claros de articulação e apoio no terreno.

A confiança constrói-se com verdade, com dados, com presença no território e com respostas concretas às necessidades imediatas das pessoas.

Nesse sentido, consideramos indispensável:

A divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização;

A criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia, que permita partilha de informação em tempo útil e resposta coordenada às situações mais críticas;

A definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade;

A presença regular de responsáveis da E-REDES no território, para esclarecimento público e articulação com os representantes locais.

As populações de Leiria merecem respeito.
Merecem informação clara.
Merecem respostas.

Merecem previsibilidade.

A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia mantêm-se totalmente disponíveis para colaborar, como sempre estiveram. Mas não podem aceitar que, passados 11 dias, milhares de pessoas continuem sem eletricidade, sem respostas claras e sem medidas de mitigação adequadas a um serviço absolutamente essencial à sua vida quotidiana.

É tempo de reforçar a comunicação, assumir responsabilidades, mitigar impactos e devolver confiança às populações.

Câmara Municipal de Leiria
Juntas de Freguesia do Concelho de Leiria


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