“A vedação exterior é toda para meter abaixo. A maior parte caiu e o que não caiu terá de ir abaixo”, explica Alexandre Gaspar, justificando que também a vedação interior em redor do campo de futebol 11 Estrelas do Lis, na Ortigosa, Leiria, ficou afetada.
Os prejuízos no GD Santo Amaro deverão rondar, por alto, os 50 mil euros, indica o presidente da direção do clube leiriense, desconhecendo se os apoios da Associação de Futebol de Leiria (AFLeiria) e da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) “serão suficientes”.

Apesar de tudo, adianta ao REGIÃO DE LEIRIA que deverá ser dos emblemas da região com menores prejuízos e que só ainda não retomou a atividade desportiva porque não tem energia elétrica e não conseguiu repor os holofotes de iluminação.
“Depois de termos colocado um sintético novo esta temporada, um investimento nosso, num valor avultado, e agora, assim de repente, sofremos com isto também, não vai ser fácil, mas vamos andar [para a frente], garantidamente”, realça.
Com 150 atletas em futebol e outros tantos em judo, o clube já conseguiu repor as telhas do pavilhão e o espaço dedicado às artes marciais já está apto a funcionar. Falta a luz.
A poucos quilómetros dali, o CCR Segodim ainda faz contas. A retoma vai ser bastante mais demorada, garante Ana Gomes, presidente da direção.
O pavilhão de futsal desmoronou por completo. Os tijolos acumulam-se pelo chão e as telhas voaram. “As áreas da sala de formação e reuniões, a zona do bar e a cozinha também foram afetadas e estamos a aguardar que o tempo melhore para conseguir arranjar o telhado”, explica.
Sem competição em futsal, o pavilhão tinha sido remodelado nos últimos anos e era utilizado semanalmente por grupos de amigos ou festas de coletividades. “Por exemplo, a EB1 de Monte Real faz a festa de Natal no pavilhão, precisamente porque na Freguesia não existe nenhum pavilhão coberto com esta dimensão”, explica.
Nestas incertezas todas, certo é que a coletividade quer voltar a levantar o pavilhão. “O nosso objetivo será colocar a sede a funcionar”, aproveitar o verão para fazer ações de angariações de fundos e depois pensar nesse projeto, “a longo prazo”, indica.


Também o CCR Telheiro ficou sem o seu pavilhão. A depressão destruiu o pavilhão, a carrinha e as infraestruturas do clube. Com centenas de jovens a praticar futsal e patinagem artística, o clube lançou uma ação de recolha de donativos para tentar recuperar o espaço. O valor dos prejuízos ainda não está totalmente calculado mas deverá atingir facilmente as dezenas de milhares de euros.
Os treinos de alguns escalões, na tentativa de manter as crianças ativas desportivamente, retomaram no início da semana, em espaços alternativos, mas quanto à competição, ninguém arrisca uma data de retoma.
“Estamos a fazer uma avaliação semanalmente, tendo em conta o estado de calamidade de vários concelhos do distrito. Houve clubese que já deram sugestões. Queríamos ver se no início do mês de março era possível retomar algumas atividades, nomeadamente aquelas competições que têm provas que dão acesso aos campeonatos nacionais. Tanto no futebol como no futsal, não queremos prejudicar esses clubes. O arranque tem de ser por aí”, afirmou Carlos Mota Carvalho, presidente da AFLeiria na segunda-feira, durante a visita do presidente da FPF à região.
Com mais de 13 mil atletas inscritos, a AFLeiria estima que 75% dos equipamentos do distrito foram afetados, a começar logo naquele que é a mais recente “estrela” da AFLeiria.
A academia de futebol da União de Freguesias de Parceiros e Azoia(UFPA)/AFLeiria não escapou aos danos e um poste de alta tensão caiu num dos campo.

Pedro Proença visitou o recinto na segunda-feira, para avaliar os efeitos dos maus tempo devido à depressão Kristin e aproveitou para anunciar a mais recente medida de apoio aos clubes do distrito.
“O presidente da Câmara Municipal de Leiria já me tinha solicitado uma possibilidade de a nossa seleção AA vir ao distrito de Leiria e, obviamente neste espírito solidário, posso afirmar que, no dia 10 de junho, a nossa seleção, antes de partir para o Campeonato do Mundo, vai fazê-lo de coração aberto”, disse o presidente da FPF.
O presidente da Federação desejou que esse derradeiro jogo de preparação – cujo adversário ainda não é conhecido – sirva para que “todos os leirienses sintam que há aqui um espírito solidário”.
Complementarmente, a receita do encontro reverterá para os clubes de Leiria afetados pelo mau tempo, como o REGIÃO DE LEIRIA tinha anunciado na última semana.
O líder federativo, que considerou o ocorrido nas regiões afetadas pela calamidade “uma catástrofe para o desporto nacional”, garantiu ainda que, “o distrito de Leiria, no que depender da FPF, pode contar com o nosso apoio incondicional, até à última consequência”.
Pedro Proença teve ainda oportunidade de passar no estádio municipal de Leiria, recinto que irá receber o jogo da seleção nacional, uma infraestrutura que ficou com a cobertura totalmente danificada, e onde estão em análise eventuais fragilidades provocadas.

“A cobertura foi toda danificada, mas estamos a ver se, em termos estruturais, houve grande dano. O resto são equipamentos que conseguimos repor, mas são coisas menores, dada a dimensão do problema”, afirmou o vereador do Desporto, Carlos Palheira.
Segundo o autarca, a maior preocupação de momento com o estádio “é a limpeza de todo o material solto que está na cobertura”.
Em causa estão “placas metálicas de grande dimensão e peso, com um potencial de perigosidade gigantesco para as pessoas”, que estão a ser retiradas por “uma equipa de alpinistas especializada em coberturas”.