O cenário inusitado aconteceu: uma lagoa de efluentes suinícolas atingiu as instalações de uma coletividade, em Casal de Marra, Batalha.
O telhado do pavilhão da Associação Recreativa Amarense voou com a tempestade Kristin. Dias depois, no final da passagem do comboio de tempestades, os efeitos da precipitação trouxeram novo castigo para a coletividade: uma das lagoas de depuração de efluentes de uma suinicultura existente a cerca de 300 metros de distância rompeu-se. Uma corrente de efluentes percorreu essa distância, deslocando-se para uma cota mais baixa, “estacionando” junto à coletividade e a alguns dos seus vizinhos.
O caso aconteceu no dia 12. A situação mobilizou elementos da Proteção Civil Municipal e da GNR, que estiveram no local. Para além de atingirem a coletividade, os efluentes também provocaram a suspensão da captação de água de abastecimento à população, no furo de Pinheiros, situado nas proximidades.
A solução foi suspender a captação de água nesse mesmo dia, substituindo-a pelo fornecimento de água através de autotanques dos bombeiros. A medida tentou mitigar os problemas no abastecimento, que ainda assim se verificaram, com algumas localidades a ficarem sem água por várias horas. A zona de abastecimento dos Pinheiros é, de acordo com a Águas da Batalha, uma das três zonas do concelho, abastecendo quase oito mil habitantes com recurso a três captações.
O problema foi ultrapassado ainda no fim de semana passado, com a constatação de que a qualidade da água não tinha sido afetada, adianta André Sousa, presidente da Câmara da Batalha. “No sábado [dia 14] recebemos as primeiras análises: não houve contaminação. Vai haver uma constante avaliação, com análises feitas todos os dias, durante duas semanas, para despistar eventual contaminação”, refere o autarca da Batalha ao REGIÃO DE LEIRIA.
Entretanto, as autoridades atribuem o caso a condições meteorológicas adversas, afastando o dolo dos responsáveis pela exploração pecuária. Elementos do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR estiveram no local, tendo constatado que “os serviços municipais e a Proteção Civil da Batalha já haviam tomado as medidas de contenção e controlo necessárias ao incidente”. Segundo a GNR, a “acumulação anormal de águas pluviais provocou uma rutura pontual, não se tendo verificado qualquer indício de negligência ou dolo por parte da exploração”.
A Agência Portuguesa do Ambiente foi informada sobre o incidente. Ainda segundo a GNR, “uma vez que a causa da rutura se deveu a fatores climatéricos anormais e imprevisíveis, a conduta da exploração pecuária não consubstancia a prática de qualquer ilícito contraordenacional ou criminal”.