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Exportações ameaçadas e desemprego à espreita

“Se os recursos não chegarem com rapidez”, o presidente da Nerlei CCI considera que “o impacto será real nas exportações e poderá traduzir-se em muito desemprego”.

Assistiram presencialmente à primeira sessão de esclarecimentos, em Leiria, 240 pessoas e 625 através da Internet FOTO: Nerlei CCI

A Associação Empresarial da Região de Leiria (Nerlei CCI) considera que o impacto da tempestade Kristin pode traduzir-se em desemprego e perda de exportações, se as medidas de apoio definidas pelo Governo não forem eficazes e rápidas.

“As empresas paradas significam salários em risco, exportações e confiança comprometidas”, afirmou o presidente da Nerlei CCI, Luís Febra, na quarta-feira, dia 11, reforçando “o sentido de urgência” do momento, pois “o tempo é hoje o nosso maior inimigo”.

Na primeira sessão de esclarecimento sobre as medidas de apoio, Luís Febra considerou que “cada dia que passa representa perda de mercado e o mercado perdido é rapidamente substituído por concorrentes internacionais”, pois as empresas da região são exportadoras — “não concorrem apenas com o vizinho do lado, competem no mundo”.

“Se os recursos não chegarem com rapidez”, o presidente da Nerlei CCI considera que “o impacto será real nas exportações e poderá traduzir-se em muito desemprego”. No entanto, o empenho dos empresários é no sentido de impedir que tal aconteça.

Por outro lado, deixou “uma nota muito importante relativamente às agendas mobilizadoras”. “Não podemos permitir que resultados estratégicos para o país fiquem comprometidos porque uma empresa afetada não consegue cumprir os prazos ou os investimentos por razões alheias à sua vontade. E isso exigirá flexibilidade e inteligência institucional”, referiu.

O responsável pela Estrutura de Missão para a recuperação das zonas afetadas pela tempestade Kristin, Paulo Fernandes, referiu que “não há medidas perfeitas, mas há humildade e capacidade suficiente de intermediação com a realidade concreta, infelizmente ainda muito longe de estar estabilizada, porque o dano continua e aprofunda-se”.

“É horrível dizê-lo, mas nós temos de fazer urgente e bem. Já não é só depressa e bem”, adiantou Paulo Fernandes, destacando “a vontade coletiva de todos de construir também um programa de revitalização, que nos torne mais resilientes e esta região mais forte e mais competitiva no futuro”.

O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, revelou que o município gastou 12 milhões de euros nos primeiros 15 dias de combate aos efeitos da tempestade, sublinhando que “não é só a indústria da região que está afetada, é a de Portugal” e ou “há rapidamente um apoio concreto para levantar as fábricas ou vai haver desemprego e um retrocesso na economia muito grave nos próximos tempos”.

No decurso da sessão, foi defendido que os consumos de combustível, motivados pela utilização de geradores, sejam isentos de impostos, e revelado que está em análise a possibilidade de se estender o mecanismo de apoio definido para as habitações, aos pequenos danos verificados no comércio e na indústria.

O secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, que encerrou a sessão, admitiu levar consigo “preocupações claras, legítimas e concretas”.

Em relação ao problema do combustível para geradores, admitiu que os números apresentados relativos aos custos “são impressionantes” e que irá analisar a situação.