Repúdio, raiva, emoção e lágrimas. Houve um pouco de tudo na primeira sessão da Assembleia Municipal da Marinha Grande realizada após a devastação causada pelo mau tempo.
O depoimento de Cristina Carapinha, dirigente associativa, foi o mais emocionado da sessão do dia 13. A presidente do Sport Operário Marinhense (SOM) alertou que o movimento associativo do concelho enfrenta um momento extremamente difícil na sequência da tempestade.
Em lágrimas, adiantou que o SOM regista prejuízos estimados em 1,5 milhões de euros, salientando o impacto que estes danos terão na atividade cultural e desportiva e, consequentemente, nas famílias. “Precisamos de ajuda agora”, clamou. Também os presidentes de junta deixaram palavras de lamento e desgaste pela situação criada. Álvaro Cardoso, presidente da Junta de Vieira de Leiria, não escondeu a “raiva e desespero” perante a situação de “sofrimento de um povo fustigado pelas intempéries”.
“Não houve nenhuma casa na freguesia que passasse ilesa à tempestade Kristin”, referiu, mostrando-se confiante em que Vieira de Leiria se vai reerguer. “Onde está a solidariedade dos nossos irmãos europeus? Não há por lá eletricistas para virem ajudar o povo português?”, questionou Franklin Ventura, presidente da Junta da Moita, agastado com a prolongada falha no abastecimento de eletricidade.
Os deputados municipais aprovaram ainda um “veemente repúdio” face à “inaceitável demora da E-Redes na reposição do fornecimento de eletricidade às populações do concelho, na sequência das perturbações registadas nos últimos dias”.
“Apesar do esforço dos trabalhadores no terreno, a ausência de estratégia na gestão, que impede uma previsão concreta e fiável para a reposição total do serviço, constitui uma falha grave, geradora de um sentimento generalizado de insegurança, frustração e injustiça entre a população afetada”, aponta ainda o texto do voto.