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“Há muito trabalho, tenho muita procura, mas [sem luz] não tenho condições para trabalhar”

Vírgilio Fragoso, de Monte Real, precisa de energia elétrica para retomar a atividade na empresa de caixilharia de alumínios, um dos sectores mais procurados nesta altura.

FOTO: MG

Três semanas após a passagem da tempestade, o REGIÃO DE LEIRIA foi perceber como é que os responsáveis de negócios de proximidade viveram aquela madrugada e os dias que se seguiram.


Ao topo da rua chegam dois profissionais de uma empresa prestadora de serviço externo para a E-Redes. Um deles benze-se quando vê o estado em que se encontram os fios que se encontram no chão e pendurados nos postes. Virgílio Fragoso está a podar as árvores de fruto no seu quintal. “Vamos ver se é desta”, desabafa.

Proprietário de uma empresa de caixilharia de alumínios, em Monte Real, concelho de Leiria, há 19 anos, tem o seu negócio parado desde o dia 28 de janeiro, devido à falta de energia.

No centro da freguesia, o fornecimento de energia elétrica foi reposto para boa parte dos moradores uma semana depois, mas Virgílio Fragoso, tal como muitas ruas e lugares da União de Freguesias, e do concelho, já ultrapassou os 19 dias sem poder colocar as máquinas a trabalhar.

“Esta atividade requer luz para poder funcionar e não são o tipo de máquinas que eu possa ligar a um gerador qualquer. São máquinas de indústria, todas trifásicas e teria de ter um gerador de grande potência para conseguir trabalhar sem riscos”, diz o empresário de 53 anos, acrescentando que não tem disponibilidade financeira para tal.

Além dos clientes com quem já tinha definido projetos, Virgílio Fragoso viu a procura aumentar consideravelmente nas última semanas. Mas em vão. É que mesmo com os dois colaboradores que tem nesta pequena empresa de caixilharia, não tem como responder aos pedidos que surgem.

“A toda a hora chegam aqui pessoas a pedir ajuda, orçamentos, … Antes de chegarem, saiu daqui um senhor. Não o consigo ajudar, não tenho luz”, desabafa.

No telemóvel, só nessa manhã, mostra cinco chamadas não atendidas. “Nem conto as de ontem. E vou desculpar-me com o quê? ‘Não tenho luz’? Mas é essa a verdade e eles [clientes] sabem. Mais do que a luz, neste momento preferia não ter rede [de telemóvel]. É muito difícil ter clientes a ligar-me e não ter como lhes responder, numa altura em que esta atividade é das mais necessárias e requisitadas para a recuperação”, acrescenta.

Todos os dias liga para a E-Redes para tentar obter informações, mas a resposta que recebe é sempre a mesma: “‘Estamos a tentar resolver o problema o mais rápido possível’, mas já passaram 19 dias, é muito tempo. Eles, coitados, não têm culpa, estão a fazer o trabalho deles, da melhor forma possível, mas as pessoas também já estão a perder um bocadinho a paciência”, afirma.

Por agora, as contas estão equilibradas, mas não sabe quanto mais tempo conseguirá aguentar nesta incerteza.

Alguns dos seus fornecedores já retomaram a atividade, mas mesmo com vontade de retomar, sem energia elétrica não terá possibilidade de ligar as máquinas e começar a cortar todo o material que fechou à oficina no mês de janeiro para fazer portas, janelas e outras estruturas em alumínio que o mercado está a precisar.

“Se há atividade que agora é precisa, é esta. Há muito trabalho, houve muitos danos e eu tenho muita procura, não tenho é condições para trabalhar”, conta ao REGIÃO DE LEIRIA, inconformado pela ausência de respostas e sobretudo de energia elétrica nos fios que chegam à sua casa e à oficina.

Quando o REGIÃO DE LEIRIA abandonou o local, no sábado, os trabalhadores continuavam no cimo da grua a esticar os fios e a realizar os procedimentos técnicos para estabelecer o fornecimento de energia, mas a luz acabou por não chegar até à casa e oficina de Virgílio Fragoso, tal como a dos seus vizinhos. A luz chegou apenas às primeiras casas da rua.

O empresário precisou de esperar mais dois dias, até segunda-feira passada, 21 dias depois da depressão Kristin, para voltar a ter luz e recomeçar a trabalhar, sem saber se conseguirá recuperar e responder a todas as solicitações que recebeu nas últimas semanas e quando conseguirá entregar o trabalho.


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