Câmara de Leiria cria plataforma para proceder à recolha de informação relativa aos danos causados pela depressão Kristin nas instalações das unidades económicas e habitações do concelho de Leiria.
Em declarações aos jornalistas, Gonçalo Lopes, presidente da autarquia explicou que a plataforma Estragos (https://estragos.pt/) “é uma iniciativa da Câmara, com o apoio da Tekever, onde queremos que todas as pessoas, instituições, possam registar os seus estragos numa plataforma”.
“Já temos muitos registos nessa plataforma, já fizemos voos de reconhecimento em muitos espaços, [a Tekever] esteve a dronar já a parte da cidade e queremos continuar esse trabalho, para que seja útil, não só para o nosso trabalho, Município, mas sobretudo para as próprias pessoas, para tirar as fotografias, e [estes relatos] serem úteis para aquilo que são os pedidos de auxílio, que vão ser necessários no âmbito da reconstrução”.
Para o autarca, esta plataforma é “transversal”. “O apelo é que todas as pessoas, quando tiverem condições e sem correr riscos, possam fotografar os seus estragos, em especial no seu património habitacional, nos edifícios, e o possam enviar para essa plataforma. É uma iniciativa fundamental para o nosso planeamento. Através deste canal iremos alimentar, numa primeira fase, duas áreas muito importantes”, disse.
Na plataforma, que deverá entrar em funcionamento pleno hoje, ao final do dia, haverá duas áreas, uma dedicada às empresas e outra à habitação.
O espaço dedicado às atividades económicas já começou a funcionar, com a disponibilização de um formulário aos agentes económicos e já teve uma resposta de 100 empresas. “Estamos a falar de empresas que têm acesso à internet e à eletricidade, 55% ainda não teve acesso à internet. Quando isto estiver estabilizado, este número irá escalar. Deixamos o apelo aos empresários para registarem também os seus prejuízos no Estragos”, afirmou.
“Não é um canal direto para o apoio, é um canal direto para fazer um levantamento”, realçou Gonçalo Lopes.
De acordo com o autarca, a Tekever já fez “voos de reconhecimento em muitos espaços” de parte da cidade, mas vai continuar “esse trabalho, para que seja útil”, não só para o trabalho do município, mas, sobretudo, para as pessoas afetadas, nos pedidos de auxílio que vão ser necessários no âmbito da reconstrução.
Entretanto, a Câmara criou ainda o endereço eletrónico reerguerleiria@cm-leiria.pt para pessoas e empresas que queiram entregar bens poderem obter informação.
“Estamos a viver momentos em que o povo português está a ser extremamente solidário, ao qual estamos muito agradecidos, temos muitos pedidos, mas também temos, felizmente, muitas pessoas e empresas a quererem ajudar”, declarou.
Gonçalo Lopes adiantou que o concelho, com 130 mil habitantes, tem atualmente “45 mil edifícios sem eletricidade”, reconhecendo que o “ritmo está a ser lento” para o restabelecimento.
A situação obriga a “um pedido de entreajuda suplementar”, pelo que a autarquia está a reforçar a “campanha de angariação de geradores”, para colocação no “maior número de espaços vitais, nomeadamente as escolas”, a prioridade em termos de recuperação do património público, frisou.
As escolas D. Dinis, na sede do concelho, Maceira e Colmeias “são as três que ficaram em pior estado, as outras todas também estão mal, mas essas três estarão no topo”, esclareceu o presidente da Câmara.
Ações de voluntariado nas freguesias
Entretanto, o município está a ativar estruturas de apoio comunitário nas freguesias.
“Estas estruturas, distribuídas estrategicamente pelo território, disponibilizam apoio à comunidade, estando algumas delas equipadas com geradores ou em processo de ligação, permitindo assegurar, sempre que possível, condições básicas como banhos, carregamento de telemóveis e a recolha de bens alimentares essenciais”.
A iniciativa pretende reforçar a capacidade de resposta local, em articulação com as juntas de freguesia, os agentes de Proteção Civil e outras entidades, “garantindo o acesso a serviços essenciais”.
O município pede a colaboração dos munícipes, “quer através da utilização responsável destes espaços, quer mediante a doação de bens alimentares, que serão encaminhados para apoiar quem mais necessita”.
No próximo sábado, dia 7, está prevista a realização de uma ação de limpeza semelhante à que decorreu em Leiria para limpazr as freguesias.
“Lançámos a iniciativa Limpar Leiria no sábado, com 600 voluntários, muitos de fora de Leiria que queriam ajudar a limpar Leiria e vamos alimentar com um conjunto de iniciativas, ações mais concretas, para que haja eficácia entre quem quer ajudar e quem precisa de ajuda. Por isso, no próximo sábado, no dia antes das eleições [presidenciais], iremos lançar a iniciativa Limpar as Freguesias, onde vamos repetir o que fizemos na cidade nas freguesias [do concelho]”, indicou o presidente Gonçalo Lopes.
Os locais de concentração nas diferentes freguesias do concelho serão divulgados amanhã, devendo depois os voluntários dirigir-se aos locais indicados e receber as orientações no local. Quem comparecer deverá levar consigo equipamentos de limpeza e proteção.
“Este é um momento de organização, já passaram 125 horas depois do fenómeno e já estamos a pensar para um cenário de 300 horas, portanto, o que estamos a planear vai ter implicações nos próximos dias”, afirmou o autarca.