“Foi um desastre, a tempestade atingiu muitos edifícios e recintos públicos, quartel dos bombeiros e empresas, além de 80 a 90 por cento das casas do concelho”, sintetiza João Marques, presidente da Câmara de Pedrógão Grande.
Ao REGIÃO DE LEIRIA, o autarca explica que os trabalhos de recuperação avançaram de imediato com o envolvimento de todos os trabalhadores do município e muitos voluntários, mas ainda há muito trabalho por fazer.


“Já recuperámos muita coisa, incluindo escolas, o que permitiu o regresso às aulas neste terça-feira, dia 3. Tem sido uma mobilização geral. Por exemplo no último fim de semana, todos os colaboradores da Câmara, incluindo administrativos e técnicos superiores, andaram de vassoura na mão, e com outros utensílios, em operações de limpeza e recuperação”, sublinha João Marques.
Ainda de acordo com o chefe do executivo, Pedrógão Grande não conhece problemas de abastecimento de água, mas continua com falhas graves na rede de distribuição elétrica e nas comunicações. As prioridades para os próximos dias passam por “continuar a ajudar as pessoas na colocação de lonas, plásticos e telhas nas habitações”.
Ao avaliar o impacto da depressão Kristin, João Marques é lapidar: “Isto só não foi uma tragédia maior do que os fogos de 2017 pela simples razão de que foi de noite, as pessoas estavam em casa a dormir”. Recorde-se que, há nove anos, o concelho sofreu um dos maiores incêndios de que há registo no país, que causou a morte a 66 pessoas.
Na terça-feira, João Marques pediu mais militares para ajudar na recuperação de telhados destruídos, admitindo que faria sentido uma “mobilização de meios” da construção civil de outras zonas do país. “Não sei quem é que poderá fazer, não sei se o governo poderá fazer. Mas, julgo que, neste momento, talvez não se justifique. O que se justificaria, eventualmente, era termos mais militares no terreno”, disse João Marques.
O autarca explicou que há ainda “muitas casas destelhadas” e “muitos problemas nas habitações”, a par de “uma enorme falta de mão de obra”.
“O pessoal que temos no terreno é insuficiente para fazer face a tantas solicitações. Sabemos que não é fácil responder, sabemos que estão todos ocupados na região, mas deixamos o nosso apelo à boa vontade das pessoas que queiram ajudar. Que venham ter connosco, que nós muito agradecemos”, afirmou.