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Os negócios da urgência: o que mais se procura em tempos de dificuldade

Serviços de lavandaria e procura por pão, pequenos rádios, pilhas, velas, geradores e até roupa interior aumentou nas últimas semanas.

A falta de eletricidade e de água em várias habitações obrigou a população leiriense a alterar prioridades e a redesenhar os hábitos de consumo. Em contexto de crise, as compras deixam de ser planeadas e passam a ser motivadas pela necessidade imediata. Entre telhados danificados, alimentos que dispensam frio e peças de roupa essenciais, há produtos e serviços que, nas últimas semanas, passaram a liderar a procura.

O retrato do comércio local mostra uma economia em modo de sobrevivência. Prosperam os negócios ligados à reparação, à autonomia energética e aos bens essenciais.

No topo das necessidades estão os materiais de construção para a recuperação do que a tempestade estragou. O mau tempo danificou telhados, fazendo disparar a procura de telhas. Em paralelo, os geradores tornaram-se um dos equipamentos mais desejados, sobretudo em zonas onde a instabilidade no fornecimento elétrico se prolonga. Para muitas famílias e empresas, garantir eletricidade em casa deixou de ser um conforto e passou a ser uma questão de funcionalidade básica.

Com as falhas no abastecimento de água, também os serviços de lavandaria registam maior procura. Sem possibilidade de lavar roupa em casa, muitas pessoas recorrem a estas soluções ou a casas de familiares, tentando gerir o essencial do dia a dia enquanto a situação não normaliza.

Nas pequenas lojas de proximidade, a mudança nos padrões de consumo foi imediata. Na Mercearia da Guimarota, Pedro Cordeiro recorda que a primeira semana foi marcada por uma corrida aos bens mais básicos. “Houve muita procura de água, velas e pilhas. As velas continuam a vender-se acima do normal”, explica. A incerteza levou também a um aumento significativo na compra de alimentos de fácil conservação e que não necessitam de ser cozinhados. “Os enlatados, como salsichas e atum, saíram muito mais do que o habitual. Tudo o que não precisa de frio, como queijos fatiados ou refeições rápidas, teve mais saída”, acrescenta.

O pão foi outro dos produtos mais procurados nos dias mais críticos. “O pão que houvesse ia todo”, refere o comerciante, sublinhando o efeito de compra por precaução que marcou os primeiros dias.

Os pequenos rádios a pilhas também foram uma das poucas formas que as pessoas encontraram de se manterem informadas, quando tudo o resto falhava. Isso levou a uma corrida às pilhas. “Foi um açambarcamento”, nota Pedro Cordeiro.

Apesar de já se notar alguma estabilização, os hábitos ainda refletem um consumo mais cauteloso e orientado para a segurança.

A corrida a produtos de conveniência chegou também ao têxtil, embora a um setor muito específico. Na loja Twiggy, Susana Korrodi nota um aumento na procura de peças interiores e funcionais. “Boxers, meias, collants, pijamas e camisolas térmicas estão a vender muito mais do que é habitual. As pessoas compram várias peças porque não têm água para lavar a roupa”, explica. A estratégia passa por garantir mudas suficientes para vários dias, até conseguirem recorrer a lavandarias ou à casa de familiares. A tendência é transversal a homens e mulheres.

O que emerge desta alteração do padrão de consumo é um retrato das prioridades de uma população em adaptação e resposta à catástrofe, deixando de refletir desejos para responder às necessidades mais básicas, uma lista simples, mas que diz muito sobre o momento que a região atravessa.

Joel Ribeiro (texto)


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