É uma das imagens mais impressionantes da passagem da depressão Kristin por Leiria: a do semiarruinado telhado do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação. O monumento, cuja origem remonta ao século XVI, sofreu o embate dos ventos fortes na zona do campanário, que não aguentou e ruiu para cima do telhado, levando à sua queda parcial para o interior.
Há um monte de escombros no interior, um buraco a céu aberto e é urgente a intervenção para impedir que a destruição alastre e faça perigar o restante e relevante património – entre ele, um belo órgão ibérico, com 200 anos. “Esta é a destruição mais visível e mais dolorosa”, admitiu o padre Pedro Viva ao REGIÃO DE LEIRIA.
Mas há mais: “O Santuário tem toda uma zona verde, com carvalhos, sobreiros, cedros e outras espécies, muitas não resistiram…”. A Senhora da Encarnação, cujo protagonismo na paisagem de Leiria rivaliza com o do Castelo, vai “precisar de muita ajuda” para a recuperação.



A Diocese de Leiria-Fátima já deu início ao processo de recuperação, envolvendo entidades estatais e autárquicas para assegurar a coordenação das obras de reparação e garantir a segurança do espaço.
“É todo um trabalho que vai demorar meses senão mais, para perceber o que se pode aproveitar destes destroços para a reconstrução”, disse o padre Pedro Viva. A prioridade, para já, é “consolidar o que está, para que não se degrade mais”.
Por toda a região há muitas igrejas, capelas e outros espaços de culto afetados pela tempestade. A Diocese informou estar a mapear os casos que exigem intervenção prioritária.
O Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima está a trabalhar em colaboração com o Património Cultural, organismo do Estado responsável pela tutela do património, para avaliar os estragos provocados. Todos os párocos foram chamados a reportar os casos mais graves.