Centenas de telhas partidas, chapas, material de isolamento e mobiliário danificado ocupam agora o passeio e a zona de estacionamento da rua do parque desportivo, em Pousos, concelho de Leiria.
“Naquele sítio não faz sentido… o lixo está no passeio e agora a resvalar para a estrada”, partilhou uma leitora com o nosso jornal, explicando que naquele local existe uma zona para depósito de monos, mas que já está cheia e por isso a quantidade de resíduos está a invadir a estrada.
Nos últimos dias foram muitas as denúncias de leitores que o REGIÃO DE LEIRIA recebeu, indicando que a situação se terá agravado após a depressão Kristin e que o lixo chega às vias rodoviárias.
Situação semelhante acontece na rua do Pinhal Cordeiro, ao lado da Makro, na Cova das Faias, também em Leiria: “Este terreno tem sido alvo de sucessivas descargas de lixo e está tudo certo, até ao ponto de chegar à estrada e as descargas continuarem”, afirma outro leitor.

O cidadão, que também pediu para não ser identificado, considera que o cenário “já ultrapassou todos os limites do razoável”.
Ao nosso jornal, a Câmara de Leiria explicou que os dois sítios fazem parte de uma lista de locais identificados para a deposição temporária de lixo, “em articulação com as juntas e uniões de freguesia”, de forma a “permitir uma resposta mais rápida à recolha e ao encaminhamento dos resíduos para tratamento adequado, recebidos até ao passado dia 19 de fevereiro, que fossem provenientes de particulares”.
“Os espaços estão a ser acompanhados pelas juntas e uniões de freguesia e pelos serviços municipais e integram um cronograma de trabalhos que abrange diversos locais do concelho, a realizar de forma faseada, prevendo-se operações de recolha e encaminhamento dos resíduos acumulados, cujo cronograma terá de ser ajustado em função das quantidades e condições efetivamente verificadas no terreno”, acrescenta.
A autarquia considera que os espaços “têm sido abusivamente utilizados”, sobretudo aqueles que não estão vedados, tendo sido registadas “deposições indevidas fora dos limites definidos para os próprios espaços”.
“Constata-se uma mistura de diferentes tipologias de resíduos, o que condiciona a sua triagem e encaminhamento, exigindo ajustes ao plano inicial de intervenção e custos avultados que ultrapassarão em muito os cerca de três milhões inicialmente previstos para recolher todos os resíduos que estão dispersos pelo concelho”, sublinha a autarquia.
A Câmara de Leiria acrescenta que “a questão do prazo definido para regularizar estas situações e o elevadíssimo impacto financeiro destas operações no orçamento municipal são preocupações do Município, partilhadas junto da APA, CCDRC e inclusive da Estrutura de Missão ‘Reconstrução da região Centro do País’, e para as quais foram solicitadas resposta e mecanismos de apoio existentes para o efeito”.
O Município pediu ainda aos departamentos dedicados ao ambiente da PSP e da GNR para colaborarem na fiscalização dos locais e apela à população “para não dar continuidade às deposições indevidas e para denunciar junto das entidades fiscalizadoras situações em que as mesmas sejam verificadas”.