Dir-se-ia que, por estes dias, há espetáculos para todos os gostos, não fossem eles – os gostos – tantos. Mas há para bastantes, convenhamos, entre peças que incitam a reflexão, a descoberta, o conhecimento histórico e, claro, o riso.
Por Leiria, este domingo começa mais uma edição do festival Sinopse, com que o Te-Ato homenageia o ator João Moital.
A abrir, vem de Esmoriz o Grupo de Teatro Renascer, com “A padaria”. Baseado em um dos mais importantes fragmentos do poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht, o espetáculo retrata as relações sociais e económicas, mostrando a história de desempregados e de pequenos e grandes comerciantes. Para sobreviverem, precisam de se destruir uns aos outros.
Os verdadeiros responsáveis pela tragédia, naturalmente, ficam à distância apenas contabilizando os lucros.
“A padaria” abre o Sinopse na Black Box Leiria, domingo, dia 8 (16h, entrada livre, M12).
Até 28 de março, passam pelo festival do Te-Ato Berna Huidobro, João Moital, Teatro Independente de Loures e Teatro Plage.
Fogos e carreteiras em Pombal
A tempestade do último mês fez mossa no Festival de Teatro de Pombal. Parte da programação, relativa às freguesias, foi adiada para o final do ano. Na cidade mantêm-se quatro peças relevantes do corpo do festival, incluindo duas estreias. A primeira é já este sábado, pelo Hotel Europa, que sobe a palco para analisar o estado da fustigada floresta portuguesa e do sul da Europa.
“Terra de Fogo” é o resultado de uma coprodução que envolveu entrevistas a voluntários, bombeiros e elementos da Proteção Civil de Pombal e Pedrógão Grande, entre outros. De modo bem original, procura-se perceber como ardem estas florestas, como é feita a sua gestão e o que pode ser feito para defender e diversificar a floresta portuguesa.
O espetáculo da companhia Hotel Europa estreia no sábado, dia 7 (21h30, 3 euros, M12), no Teatro-Cine de Pombal. Antes, já esta quinta-feira, dia 5 (21h30, entrada livre), a propósito de “Terra de Fogo”, o Teatro-Cine exibe o filme “Justa”, de Teresa Villaverde, uma ficção com génese nos incêndios de 2017, com a brasileira Betty Faria num dos principais papéis.
No domingo, o Teatro-Cine acolhe o duro “Mulheres Móveis”, documento teatral da companhia Astro Fingido, que recorda, homenageando e ficcionando, a história das carreteiras, mulheres de Paredes, no distrito do Porto, que transportavam os móveis à cabeça, em tempos que já lá vão. Um espetáculo visual e musical que assume o contributo do imaginário do poeta italiano Tonino Guerra.
“Mulheres Móveis”, da Astro Fingido, é apresentado no dia 8 de março (17h, 4 euros, M6),
Até ao fim de março, há ainda para ver em Pombal “Coro dos Amantes”, de Tiago Rodrigues, no dia 14, e “Suplicantes”, de Cassandra e Sara Barros Leitão, no dia 27.
Mostra solidária em Alvaiázere
Em Alvaiázere também se poderou não avançar com a III Mostra de Teatro, devido ao impacto do mau tempo. Mas vai haver espetáculos, com receitas a favor dos bombeiros locais. A abrir, o Te-Ato leva de Leiria “Mãe! Estás aí?” à Casa da Cultura de Alvaiázere este sábado, dia 7 (21h30, entrada livre, M6).
Nesta proposta para a infância, o grupo percorre a descoberta dos sons, a aquisição da linguagem pelos jogos de palavras, terminando com “a proposição da separação irreparável que nos deixa sozinhos, mas com a solitude que permite reconhecermo-nos”.
Companhia de Teatro de Ramalde (Porto), Saidatoca e CACI, Teatro Amador de Loureiro (Oliveira de Azeméis) e OTal – Oficina de Teatro de Alvaiázere completam o programa até ao final do mês.
As entradas são livres, mas o público é convidado a contribuir com o que entender, revertendo toda a receita para os Bombeiros Voluntários de Alvaiázere.
Duas peças no Teatremos
Em Porto de Mós, o segundo fim de semana do 20º Teatremos revela duas peças:
sábado, dia 7, Os Miúdos da Serra apresentam “Gil Vicente x6 – By Las Hermanas Canastas” e no domingo, dia 8, há “Médico à força (adaptado)”, pelo JuncaTeatro, sempre no Fórum Cultural, às 21 horas.


Outras peças
Extra festivais, há mais teatro para ver em Leiria este fim de semana:
No sábado, dia 7 (11h e 16h, entrada livre, M3), o Teatro Miguel Franco recebe “Cabe mais um?”.
O espetáculo faz parte do Teatro D. Maria II para famílias conta a história de dois gatos que vivem numa casa há muito tempo. Espreguiçam-se e penteiam os bigodes sempre que lhes dá na gana. Só uma coisa os impede de serem gatos à vontade: o cão que, entretanto, passou a viver com eles… Será que cabe mais um?
No domingo, dia 8 (18h30, entrada livre, M6) entra em cena, também no Teatro Miguel Franco, o projeto UpA – Unidos pela Arte, da SAMP.
A peça é “Lavado a seco”, em torno de um grupo de empregadas da lavandaria de um hospital que esperam todos os dias por Serafim, o encarregado do circuito da roupa que partilha as peripécias que acontecem nos quartos e pelos corredores do hospital.