Os pianistas Bruno Belthoise e João Costa Ferreira voltaram a reencontrar-se ao piano. O resultado é um novo disco que revela uma compositora francesa caída em esquecimento: Armande de Polignac.
A iniciativa foi do francês Bruno Belthoise, que desde a pandemia investigou a obra de Polignac. Reuniu partituras dispersas, quase esquecidas – incluindo um manuscrito “escondido” numa coleção particular em Lisboa – e chamou o pianista natural de Leiria para tocar as obras a quatro mãos num álbum precioso: quase todo o alinhamento de “Armande de Polignac: Piano works” são primeiras gravações, música que poucas ou nenhumas vezes foi tocada. Isso, para Costa Ferreira, dá “muito prazer”, porque “é descobrir um som novo”, experiência “completamente diferente de tocar um ‘Nocturno’ de Chopin, por exemplo, de que há mil gravações”.
Para o leiriense, desde 2005 a viver em Paris, Armande, “muito inspirada num oriente imaginado”, revela-se exímia: “Dominava as técnicas composicionais, contrapontísticas, estilísticas da época, do modernismo”. pari
O pianista destaca o disco também pelo “importante contributo para mostrar o papel das mulheres no mundo da música, neste caso, no período moderno francês”.
Esta descoberta revelou que a qualidade musical desta compositora ultrapassa muitas vezes obras de compositores de quem, nas universidades, falamos, trabalhamos, estudamos, analisamos
João Costa Ferreira
pianista