O projeto RePlantar Leiria, hoje apresentado, prevê a introdução de espécies diferentes no concelho, tornando a floresta mais diversa e assente em mosaicos que criem um equilíbrio entre a gestão agrícola, florestal e urbana.
“Estamos habituados a ter florestas de monocultura, maioritariamente assentes no eucalipto e no pinheiro. Teremos de ter uma floresta bastante mais diversa e assente mais em mosaicos agrícolas e florestais, que nos permitam ter um equilíbrio maior naquilo que é a gestão agrícola, floresta e a parte urbana”, adiantou o vereador com o pelouro do Ambiente na Câmara de Leiria.
Luís Lopes, que falava à margem da apresentação do projeto, acrescentou que o novo plano de rearborização após a destruição causada pela tempestade Kristin irá permitir “misturar espécies que crescem mais rápido ou que crescem mais lento”.
Esta opção criará “zonas de sombra mais rápido, para permitir que haja um controle dos matos e das infestantes e das invasoras”.
A intervenção terá de contar “com a vontade e o compromisso dos proprietários”, uma vez que grande parte da floresta afetada se encontra em terrenos privados. É ainda preciso “financiamento, mas também capacidade técnica e de intervenção em termos de maquinaria e de pessoas”.
Na apresentação do projeto, Luís Lopes revelou que foram destruídas ou danificadas durante a tempestade Kristin, no dia 28 de janeiro, cerca de oito milhões de árvores no concelho.

Numa área total de 28.066 hectares (ha) do território do concelho, 7.615 ha terão sido afetados, um número, que segundo o vereador, ultrapassa toda área ardida naquele território nos últimos anos.
O planeamento e a reorganização da floresta estão a ter o acompanhamento do arquiteto paisagista Paulo Farinha Marques, da Universidade do Porto, que, numa declaração em vídeo, referiu que a rearborização irá dar “um sentido de esperança, de evolução e de progresso, todo ele alicerçado na árvore”.
Defendendo o envolvimento de toda a comunidade, Luís Lopes desafiou os cidadãos e as empresas a participarem nas ações e até a apadrinharem uma árvore ou uma área que esteja a ser intervencionada.
“Iremos disponibilizar a curto prazo uma plataforma onde as pessoas podem selecionar áreas, identificar as espécies que vão ser plantadas num determinado local”, com a respetiva explicação e depois acompanhar a sua plantação.
O vereador observou que a replantação não irá ocorrer da mesma forma em todo o território, por haver espécies que terão de ser plantadas em determinado período e solo.
Além da questão estética da paisagem, cujo impacto só será visível dentro de várias décadas, o autarca considerou que um dos desafios é a relação térmica no espaço urbano. Sem árvores sentir-se-á mais humidade, mais entrada de vento e menos sombras.
“Vamos levar algum tempo até conseguir encontrar respostas artificiais para ter esta ventilação térmica e alcançar o mesmo conforto dentro do espaço urbano, agora com menos árvores”, reforçou.
A replantação passa por diferentes soluções, entre as quais semear, colocar árvores com um metro ou outras já com alguma idade, como sucedeu com o cedro colocado recentemente na Villa Portela, onde hoje foi apadrinhado com o nome de Kristin, exemplificou Luís Lopes, alertando que haverá muitas espécies que não irão sobreviver, tal como sucedeu com a replantação do Pinhal de Leiria após o grande incêndio de 2017.
A primeira fase do projeto, que já está a decorrer até maio, passa por desbloquear caminhos florestais não só para poder intervir, como para fazer face aos incêndios.
A seguir, será retirada a madeira, removendo-se as árvores que estão no chão ou em risco de queda e passando-se para a recuperação dos solos, a retirada de cepos e a preparação para a plantação.
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, destacou que este projeto “é talvez o mais importante” do programa ReErguer Leiria, tendo em conta a “tragédia florestal” que ocorreu “em apenas duas horas”, reforçando o desafio para que toda a comunidade participe.