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Filho de Florindo Simões pede que município de Leiria distinga o mestre encadernador

Uma exposição na galeria São Ópticas recorda alguns dos trabalhos realizados pelo artesão ao longo de seis décadas de trabalho. Mas Carlos Simões pede mais reconhecimento pela obra do pai, que morreu este ano.

Durante seis décadas, Florindo Simões trabalhou na sua oficina de encadernação em Leiria. Em abril de 2021, o histórico mestre encadernador morreu, com 85 anos, e o seu filho pede agora que a memória e a obra de Florindo Simões sejam oficialmente reconhecidas pelo município.

“Após 60 anos de muita obra feita por Leiria, o meu pai merecia um galardão. Há tanta gente que é galardoada em Leiria e não tem obra comparável à do meu pai… Gostaria que ele em vida tivesse recebido esse galardão. Ainda espero que alguém se lembre desse reconhecimento. O meu tio, que foi sócio dele e está vivo, pode recebê-lo em nome dele”, afirma Carlos Simões, que esta quinta-feira, 4 de novembro, inaugurou uma exposição de homenagem a Florindo Simões na galeria São Ópticas, em Leiria.

Natural dos Pousos, Florindo começou a trabalhar aos 13 anos na Tipografia Mendes Barata, na Praça Rodrigues Lobo, em 1947. “Lá aprendeu toda a arte da encadernação”, recorda o filho.

O encadernador abriu um negócio próprio mais tarde, com Armando Costa como sócio, desenvolvendo uma técnica característica na arte de dourar capas e lombadas.

Carlos Simões quer que o município de Leiria reconheça a obra do pai, Florindo Simões Foto: Fernando Rodrigues

“São encadernações que perduram no tempo, livros que duram 80, 90, um século”, recorda Carlos Simões que, com o pai, ia a Alcanena “buscar as peles, que eram virgens, e depois eram tratadas com soda cáustica”. Mas o trabalho mais valioso está mesmo nas lombadas. “Reconhecem-se facilmente por aí as obras que o meu pai encadernava. Usava ouro puro a quente, na pele e no sintético”.

Entre os múltiplos trabalhos encomendados, destacavam-se as coleções dos Diários da República. “Eram todos encadernados com um timbre de soda cáustica”, lembra Carlos, que também trabalhou na oficina por onde passaram livros de todo o mundo. “Encontramos essas encadernações na internet, em sites franceses, belgas, alemães, clientes de muitos sítios”. Até em Angola, onde vive atualmente, Carlos Simões já encontrou obras encadernadas na oficina de Leiria. “É um trabalho muito característico. Olho para a lombada de um livro e identifico logo as obras encadernadas pelo meu pai”.

Outra das glórias do artesão foi a produção da pasta entregue a João Paulo II, quando visitou Fátima pela primeira vez, em 1982. 

“É uma herança muito valiosa, inigualável em Leiria. O meu pai foi um dos últimos artesãos vivos. Foi uma vida completamente dedicada à parte da encadernação. É um leiriense puro e famoso. São pessoas como estas que dão nome à cidade de Leiria em todo o mundo”, vinca Carlos Simões, pedindo que a memória de Florindo Simões seja recordada oficial e publicamente. Para já, parte dela está patente na pequena exposição de livros, jornais, fascículos e outras publicações que estão na galeria São Ópticas, na avenida Heróis de Angola, em Leiria.


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