A Assembleia Municipal de Ansião aprovou ontem o orçamento de 17,6 milhões de euros para 2026, condicionado aos compromissos já assumidos, disse à Lusa o presidente da Câmara daquele concelho.
“Este é um orçamento que está muito condicionado àquilo que foram os compromissos assumidos pelo anterior executivo e, estando em funções há menos de dois meses, fizemos um esforço para que não entrássemos num regime de governação de duodécimos”, admitiu Jorge Cancelinha (PSD).
Segundo o autarca, o orçamento contempla “uma verba significativa voltada para o desenvolvimento de projetos”, nomeadamente na reabilitação da rede viária.
“Temos um estudo feito com cerca de seis anos, mas que não resultou em qualquer projeto para reabilitar a rede viária, que entretanto teve intervenção de saneamento e que agora precisa do asfalto reposto. A reabilitação dessa mesma rede viária prevê um investimento que, nos próximos anos, possa ascender a cerca de três milhões de euros”, anunciou.
O presidente pretende ainda repensar o projeto que estava definido para o mercado municipal, para que a estrutura “possa ser mais do que isso”, tendo uma valência “polivalente e multidisciplinar”.
Entre as obras calculadas está também a reabilitação da escola número 2 de Avelar, “que tem previsto um financiamento na ordem dos cinco milhões de euros e que é urgente terminar esse processo porque o prazo para apresentação de candidaturas acaba em junho”.
Na vertente do lazer e do turismo, o Município de Ansião “vai tentar potenciar o rio Nabão, que teve uma intervenção há cerca de dez anos, onde está o Parque Verde”, prevendo-se a criação de uma ecopista, um “espelho de água e, eventualmente, estudar a hipótese de implantar uma praia fluvial”.
Jorge Cancelinha revelou que a autarquia perspetiva passar imóveis para o domínio público, que ainda não pertencem ao município, para reabilitá-los para fogos habitacionais e disponibilizá-los a custo controlado para a população.
Cerca de cinco milhões estão destinados às juntas de freguesia, “para garantir não só aquilo que é o seu funcionamento diário, mas também a descentralização de algumas competências, como seja o transporte escolar ou a manutenção da rede viária secundária”.
O presidente afirmou que está previsto um fundo para que as juntas de freguesia possam recorrer para adquirir equipamento operacional.
Relativamente às associações, o orçamento contempla uma transferência na ordem dos 200 mil euros. “Queremos também iniciar em 2026 o plano de substituição de três relvados sintéticos do nosso concelho. Foram implementados há cerca de 20 anos e acusam o desgaste do tempo. Temos mais de meia centena de atletas a praticar futebol semanalmente e queremos dar-lhes as melhores condições”, precisou.
Os bombeiros voluntários também serão contemplados com um financiamentos para as equipas de intervenção permanente e com um apoio extraordinário para a reabilitação das suas instalações.
O documento foi hoje aprovado por maioria, com dois votos contra do Chega e as abstenções dos eleitos do PS.
Relativamente aos impostos, a taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) cifra-se no mínimo (0,3%), enquanto as empresas ficam isentas da taxa de derrama.
A taxa de participação no Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares mantém-se nos 1%, “com tendência para baixar nos próximos anos”.
A Assembleia Municipal de Ansião é constituída por dez eleitos do PSD, a que acrescem dois presidentes de junta, 12 do PS, entre os quais três presidentes de junta, dois deputados do Chega e um presidente de junta do Movimento Independente Avelar Sempre em Primeiro, num total de 27.