Os trinta utentes do Centro Social da Bajouca (CSB), no concelho de Leiria, voltaram este ano letivo à escola, para partilhar vivências, memórias e aprendizagens com os mais novos, num encontro de gerações que todos aguardam semanalmente com expectativa.
O projeto “Histórias com futuro” ainda vai a meio do percurso, mas o balanço feito pela instituição e professoras do Centro Escolar da Bajouca deixa adivinhar uma possível segunda edição, admite Ana Fonseca, diretora técnica do CSB. Com esta iniciativa, os utentes do centro de dia – alguns avós ou bisavós das crianças do centro escolar – preparam previamente o tema da semana com base numa história ou num conto escolhido por todos e que é abordado em todas salas, do jardim de infância ao 1º ciclo. Cada sessão, uma por sala e por semana, envolve oito utentes.
“Elmer”, um elefante que é diferente dos outros, foi o primeiro livro selecionado e permitiu abordar a diferença, sensibilizando miúdos e graúdos, explica a responsável.
Já na quadra natalícia, a história do carteiro Nicolau foi o ponto de partida para a criação de postais de Natal, a várias mãos.
O tema atual está relacionado com as emoções e a felicidade. “Na semana passada, fui à sala do 1º ano e foi muito interessante. Quando perguntámos aos miúdos o que é que os fazia felizes e qual o momento que os fazia felizes, alguns responderam muito entusiasmados que era a ida dos idosos à escola”, conta Ana Fonseca, destacando o “balanço positivo destes encontros de gerações” que se traduzem “sempre em momentos de bastante partilha”.
Esta troca contribui não só para o desenvolvimento social e emocional das crianças, mas também para o bem-estar e a valorização dos idosos, que se sentem reconhecidos e integrados
Ana Fonseca
Diretora técnica do Centro Social da Bajouca
O projeto, que resulta de uma parceria com o Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, deixa também espaço para surpresas e convívios, como aconteceu no Dia de Reis, quando “os meninos prepararam uma atuação para os nossos idosos e um pequeno lanche”.
Ainda segundo Ana Fonseca, as deslocações à escola permitem o envolvimento de todos os utentes, de acordo com a sua vontade e disposição, e sem barreiras para quem esteja em cadeira de rodas ou use andarilho.
“Eles estão bastante motivados e participam ativamente, e, no dia em que vamos à escola, sabem logo quem é que vai ler”, nota ainda, acrescentando que estão a ser também programadas outras atividades, a realizar em conjunto, quando o tempo melhorar, com visitas das crianças ao centro de dia.
“O encontro entre diferentes gerações é uma das formas mais genuínas de transmitir conhecimento, valores e afetos. Num tempo em que, muitas vezes, crianças e as pessoas idosas vivem em realidades separadas, criar espaços de partilha torna-se fundamental para fortalecer laços comunitários e preservar a memória coletiva”, acrescenta Ana Fonseca, que considera o balanço enriquecedor.
“Os utentes chegam muito contentes da ida ao centro escolar, com bastante satisfação e até compromisso, porque acabam por partilhar experiências da vida deles e, no fundo, isso é o mais valioso que eles têm”, sublinha.