O presidente da Câmara de Ansião, no distrito de Leiria, disse hoje que cerca de 60% do concelho continua sem eletricidade, após a depressão Kristin, mas assegurou que as escolas estarão em condições de abrir já na terça-feira.
Em declarações à agência Lusa, Jorge Cancelinha (PSD) afirmou que o município enfrenta “um rastro de destruição por todo o concelho”, sublinhando que a reposição da rede elétrica é, neste momento, “a situação que mais preocupa”.
“Isto acaba por comprometer uma série de serviços essenciais que temos que garantir à população e que a própria população também quer ter em sua casa para o seu bem-estar”, apontou.
Já relativamente à rede de abastecimento de água, o autarca ressalvou que “está praticamente normalizada” e referiu que está a decorrer o levantamento de prejuízos em habitações, empresas e edifícios municipais.
Jorge Cancelinha explicou que a preocupação até agora foi de “suprir apenas as necessidades primárias” da população.
“Em primeiro lugar, conseguir garantir as condições de habitabilidade ao maior número de pessoas de nossos concidadãos e, hoje, particularmente, com um foco especial nas escolas para garantir que o máximo de escolas possam reabrir na próxima semana quando retornarmos às atividades letivas”, apontou.
Relativamente à situação das escolas, o autarca esclareceu que, “em princípio”, já estarão todas em condições de reabrir na terça-feira, mas, “devido à pausa letiva”, será apenas necessário dar resposta ao primeiro ciclo e jardim-de-infância.
O autarca alertou ainda para a situação de centenas de pessoas cujas casas sofreram danos significativos e que não irão conseguir “repor as condições de um dia para o outro”.
“Temos também alguns equipamentos municipais que foram afetados, nomeadamente equipamentos desportivos e parques de lazer que, neste momento, vão precisar de alguns meses para serem repostos”,alertou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.