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Depressão Kristin

“O epicentro da desgraça e da destruição está no nosso concelho”, diz Gonçalo Lopes

Município vai adquirir 13 casas pré-fabricadas para colher desalojados. “Intempérie que se irá abater sobre a nossa região, nos próximos dias, poderá provocar e ampliar o clima de desgraça que a região está a viver nestes momentos”, disse.

FOTO: Joaquim Dâmaso

É com um ar cansado e de uma forma angustiada que Gonçalo Lopes declara que o restabelecimento de energia no concelho de Leiria ainda vai demorar.

“A situação está, como foi dito [anteriormente], num processo lento, o que nos deixa angustiados”, afirmou o autarca de Leiria aos jornalistas ao final da manhã.

Na região de Leiria, refere, há 63 mil clientes sem eletricidade, dos quais 37 mil são no concelho de Leiria. “Isto confirma, de facto, que o epicentro da desgraça e da destruição [desta tragédia] que está no nosso concelho. Estamos muito preocupados com as zonas mais afastadas das infraestruturas públicas de fornecimento de água, luz e comunicações, porque estas pessoas que vivem nas freguesias mais rurais, e incluo também aqui os concelhos do norte do distrito, estão a passar por momentos dramáticos. Estão apagados há mais de sete dias, que correspondem a 175 horas”, afirmou.

“A fase que tínhamos previsto de restabelecimento está a demorar muito mais tempo do que tínhamos
pensado, o que coloca estas populações num nível de preocupação e de alarme que merece um reforço e uma estratégia muito mais rápida e contundente, não só no restabelecimento do fornecimento de eletricidade em alta, mas muito em especial em linhas de trabalho para recuperar toda a distribuição da energia em baixa. Porque estabelecer energia, energizar postos de transformação, que é a base da distribuição na baixa, já não vai ser suficiente e podemos ter casas e povoações sem eletricidade durante muitos mais dias”, disse Gonçalo Lopes, reforçando “essa preocupação vincada da necessidade de encontrar estratégias” alternativas.

Apesar de já existirem várias freguesia com acesso à energia elétrica, sobretudo na zona urbana, são ainda muitos os territórios sem qualquer abastecimento, excepção feita aos geradores que se encontram distribuídos em pontos centrais para carregar telemóveis.

“Como disse, desde a primeira hora, deveríamos ter tido um apoio massivo de geradores para energizar o maior número de pontos desta região afetada, evitando prejuízos enormes para a vida das pessoas.
Relativamente à estratégia que temos montado e das ações que montámos ao longo desta semana, que são muitas, só foram possíveis muito devido às forças que são colocadas aqui no âmbito da proteção civil, ao qual estamos muito agradecidos, nomeadamente todas as corporações de bombeiros que vieram de vários pontos do país para o território, assim como também de outros segmentos, como as forças militares”, explicou.

Lembrou ainda “o papel fundamental que tiveram empresas, voluntários, quer no processo de limpeza do nosso concelho, incluo aqui as empresas contratadas pelo Município, que foram muitas, uma despesa já bastante elevada, e que têm sido fundamentais neste processo”, disse.

“Se não tivéssemos tido a força, a energia, a determinação de conseguir recolher tantas ajudas neste processo de limpeza, aquilo que estes sete dias foram, teriam-se transformado, se calhar, em mais 15 dias. O que significa que este trabalho, este esforço, merece ser sublinhado e agradecido a todas
as empresas que estão na linha da frente na operação limpeza e restabelecimento de vias”, acrescentou, indicando que os trabalhos continuam agora para as vias mais secundárias, um pouco por todo o concelho, e que “esta operação tem sido um sucesso”.

Condições atmosféricas vão agravar nos próximos dias

Para o autarca de Leiria ainda não é tempo de baixar os braços e são as “questões humanitárias” que mais o preocupam neste momento.

“A fase que estamos a passar, como disse, podíamos tê-la controlado mais cedo. Estamos preocupados sobretudo, neste momento, com quem tem as suas casas destruídas, que estão à mercê de uma intempérie, que se irá abater sobre a nossa região nos próximos dias, o que poderá provocar e ampliar o clima de desgraça que a região está a viver nestes momentos”, disse.

“A previsão de chuva, nos próximos dias, é idêntica ao que aconteceu em 2014 com a inundação [das termas] de Monte Real, que fez com que as Termas apagassem e, portanto, prevêm-se momentos críticos no concelho de Leiria, em virtude de termos um rio que, neste momento, já ocupa 60% dos terrenos agrícolas adjacente, que estão totalmente inundados e, portanto, com pouquíssima capacidade de
absorção e com muitos rombos ao longo do rio”, explica.

Nas próximas hora, o autarca, que é também o responsável da proteção civil no concelho, adianta que os serviços do Município estão “empenhados para que, nas próximas horas, se reforce a entrega de lonas, de telhas e, sobretudo, de empresas [a atuar no terreno], que já se mostraram disponíveis para ajudar na reparação ou na proteção, para evitar situações de calamidade”.

As declarações aos jornalistas foram realizadas após a reunião diária que o executivo está a realizar com os presidentes de Junta de Freguesia, em que um dos pontos de trabalho foi o “reforço da assistência social”, sobretudo na identificação dos desalojados, quer de pessoas que ainda “permanecem em casa, mas com chuva intensa dentro das suas casas, e outros que estão deslocalizados”.

“Devemos encontrar soluções de curto prazo, mas devemos começar já a pensar soluções de médio
prazo. Daí, ontem mesmo, termos consultado empresas para a aquisição de casas pré-fabricadas para serem instaladas o mais rápido possível, para poder acolher as famílias que estão em situação muito grave”, referiu, indicando que avançou o “processo de contratação de 13 casas pré-fabricadas, um valor de aproximadamente meio milhão de euros”.


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