São muitas as críticas que têm surgido pela falta de respostas no restabelecimento dos serviços de energia, telecomunicações e água no concelho de Leiria, em particular nas freguesias mais afastadas da sede do concelho. O autarca Gonçalo Lopes reconhece as reações, critica a ausência de comunicação por parte das entidades oficiais e admite que o seu grau de tolerância começa a esgotar-se.
“Nas populações que estão a sofrer, e que são muitas, o grau de desespero e de tolerância começa a esgotar-se, assim como o meu. Sete dias é um marco, é um marco dramático, porque não conseguimos, não se conseguiu, dar uma resposta mais rápida e a rapidez da resposta tem que ser avaliada”, entende o presidente de Câmara de Leiria.
“Quem está a dar a cara sou eu, todos os dias a comunicar-vos a pouca informação que tenho e o processo tem de ser mais transparente, o processo tem de ser mais claro. Na [pandemia] de covid tínhamos briefing e comunicação ao país, todos os dias, sobre o que estava a acontecer e eu acho que ninguém comunica ou não querem comunicar. Parece que estamos num país de faz de conta”, afirmou, justificando que “tem de existir outra atitude”.
Questionado se se trata de uma crítica ao Governo, o autarca respondeu que “o que aconteceu em Leiria é algo demasiado grave para que não haja uma comunicação credível, transparente sobre a evolução das reparações na rede, porque os portugueses assim o exigem”.
“O grau de escrutínio que colocam à minha atividade como político tem de ser colocado também a quem é responsável de gerir as redes nacionais, seja o fornecimento de água em alta, seja o fornecimento de eletricidade. Tem de existir mais transparência”, prosseguiu.
Segundo Gonçalo Lopes, “esse grau de transparência de informação tem de existir, para criar confiança de que estamos a trabalhar, informando de uma maneira clara, objetiva, as dificuldades que estamos a ter, porque admito que [as empresas responsáveis pela prestação de serviços públicos] estão a fazer um esforço, mas precisamos que alguém preste contas sobre isto e as contas não estão a ser prestadas”.
As declarações aos jornalistas, no quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria, aconteceram ao mesmo tempo que a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Garça Carvalho, visitava o concelho para acompanhar trabalhos de recuperação da rede elétrica.
“Não tive conhecimento desta visita, admito que me possam ter ligado”, afirmou, acrescentado que “tem sido um corrupio de líderes das mais diversas áreas que passam, mas ações concretas para resolver ou resultados concretos não se veem”.
“Aquilo que temos feito é com os nossos meios e com o nosso esforço, porque somos nós que vivemos cá e somos nós que temos de prestar contas às pessoas do concelho de Leiria. Nesta fase, volto a dizer, preocupa-nos muito a questão humanitária, preocupa-nos muito os próximos dias relativamente às questões da chuva e queria deixar isto bem vincado. Se esta situação se agravar, terão que ser apuradas todas as responsabilidades porquê que não foram acionados mais meios, mais recursos para acudir a esta calamidade”, salientou.
Quanto à resposta às populações que estão mais afastadas da cidade, Gonçalo Lopes reconhece que não tem sido fácil chegar levar a informação, devido à falta de comunicações e, muitas vezes, só quando se deslocam à cidade é que têm conhecimento do que está a acontecer. “Muitas dessas pessoas seguramente nem imaginam a dimensão do problema que existe. E, por isso, a maneira de comunicar é uma área que daqui para a frente tem de existir com outra atitude”, disse.