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Quatro anos depois, estádio de Leiria volta a concentrar donativos e pedidos de ajuda

Além do estádio e do pavilhão dos Pousos, foram ativadas estruturas de apoio comunitário em todas as freguesias do concelho.

Centro de recolha e entrega de donativos no estádio de Leiria funciona entre as 9 e as 18 horas FOTO: Camila Grácio

Passaram quase quatro anos desde o início da guerra da Ucrânia, período em que o estádio municipal de Leiria foi transformado em centro de emergência e solidariedade. Ali foi garantida a recolha de donativos de toda a região e dali partiram várias caravanas e camiões com ajuda humanitária para países fronteiriços, no centro da Europa.

Em 2022, a estrutura desportiva também foi espaço de acolhimento para inúmeras famílias refugiadas, um ano depois de ter sido transformado em Centro de Vacinação Covid-19. Na passada semana, e apesar dos danos sofridos, voltou a concentrar donativos e pedidos de ajuda.

No domingo à tarde, a azáfama era grande no centro de recolha e entrega de bens de primeira necessidade, montado na porta 10. No meio da aparente confusão, dezenas de voluntários articulavam-se para encher cabazes com alimentos essenciais, definidos de acordo com a tipologia das famílias. O ambiente fervilhava, entre a reposição e a distribuição.

Como centenas de outros voluntários que chegaram a Leiria de vários pontos do país nos últimos dias, Susana Niza não conseguiu ficar indiferente à tragédia que abalou a região e trouxe, com uma colega, mãos para trabalhar e ajudar. Chegou ao estádio perto das 9 horas, vinda de Torres Vedras.

“Achámos que precisavam de mãos e foi isso que nós trouxemos: boa vontade para trabalhar e mãos para ajudar na triagem e distribuição” dos bens, conta, ela que já tinha vivenciado, aquando dos incêndios em Pedrógão Grande, a dificuldade de organizar a separação e entrega de donativos quando estes não páram de chegar.

Isso mesmo tem sucedido em Leiria, onde o apelo do município foi amplamente correspondido. Além de leite, papas, compotas, cereais, enlatados, bolachas, massas, arroz, farinha, açúcar e água, distribuem-se produtos de higiene, papel higiénico, mantas e cobertores, como também comida para cães e gatos.

Foi também criada uma zona para recolha e entrega de alguns material de construção e telhas, a que os cidadãos também podem recorrer.

“Estragou-se tudo”

Sem luz ou água há vários dias, com três filhos e a casa danificada, Marina Ferreira, residente na Bajouca, procurou ajuda no domingo, no estádio. “Está um caos, está tudo destruído”, repetia, ao dar conta do estado em que a freguesia acordou após a passagem da depressão Kristin.

No meio da fila, onde se alinhavam dezenas de pessoas, esperava a sua vez com o filho mais novo, de 6 anos, debaixo de mais um chapéu de chuva. Aproveitou a visita que faz diariamente à mãe, residente em Leiria, para levar mantimentos para cinco pessoas, dois adultos e três crianças, um deles adolescente.

“Sem luz, as coisas não duram. Estragou-se tudo”, lamentou, elogiando o apoio ali prestado às populações. “É importante ajudarem quem está neste momento a precisar. Eu trabalho em Leiria e o meu local de trabalho também está um caos, mas a minha preocupação foi ver a minha mãe, que está muito doente”, partilhou ainda, antes de ser convidada, por um militar de apoio à organização, a chegar-se à frente por estar com uma criança.

A Leiria têm chegado manifestações de solidariedade e ofertas de todo o país. Segundo o município, que abriu um primeiro centro de apoio no pavilhão dos Pousos, onde também disponibiliza lonas para proteger o que sobrou dos telhados, as necessidades avolumam-se.

Freguesias com estruturas de apoio comunitário

Além do pavilhão dos Pousos e do estádio de Leiria, foram ativadas, nos últimos dias, estruturas de apoio comunitário em todas as freguesias do concelho, não só para a entrega e recolha de bens de primeira necessidade e produtos de limpeza, mas também para carregamento de telemóveis e, sempre que possível, condições para as pessoas poderem tomar banho.

Na terça-feira, dia de fecho desta edição, muitas localidades continuavam sem energia elétrica, água ou comunicações.

Segundo a lista disponibilizada no início da semana pela Câmara de Leiria, estavam a funcionar ou em processo de instalação estruturas de apoio comunitário na Casa do Povo de Monte Real; Centro Cultural da Bidoeira de Cima; centros escolares de Monte Redondo, do Coimbrão e do Telheiro (Barreira); Grupo Desportivo de Santo Amaro (Ortigosa); parque de campismo do Pedrógão; pavilhões Carlos Neto (Marrazes), do Arrabal, Bajouca, Caranguejeira, Carreira, Colmeias, Cortes, Maceira, Pousos e Souto da Carpalhosa; bem como no salões paroquiais de Amor, Barosa, Barreira, Boa Vista, Carvide, Memória, Milagres, Regueira de Pontes e Santa Catarina da Serra.

Além de bens alimentares não perecíveis, continuam a ser necessários produtos de limpeza, como baldes, vassouras, esfregonas, pás e sacos do lixo, têxteis para o lar, telhas e materiais para ajudar na reconstrução das casas, partilhou o município, referindo que os bens doados estão também a ser distribuídos pelas freguesias.

Quanto às habitações afetadas, muitas pertencem a pessoas que residem noutras zonas do país ou no estrangeiro, o que tem motivado alertas de algumas juntas de freguesia no sentido de tentarem verificar o estado das suas propriedades. “Pedimos a quem tem habitações e propriedades na freguesia que venha verificar o estado das suas casas”, apelou, por exemplo, a Junta do Coimbrão através das redes sociais.


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