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António Henriques

Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera

Pontos de vista: Em resposta às últimas tempestades, as autarquias devem implementar novos planos/medidas de proteção civil?

A mesma pergunta, dois pontos de vista. Os autarcas António Henriques (Castanheira de Pera) e Pedro Pimpão (Pombal) respondem, em artigo de opinião, à mesma questão.

Nos últimos anos os fenómenos meteorológicos extremos deixaram de ser exceções para se tornarem parte inquietante da nossa realidade. A recente passagem da Tempestade Kristin é mais um exemplo de como as alterações climáticas são, cada vez mais, um desafio frequente para as nossas comunidades.

Mais do que as infraestruturas afetadas, quando tudo falha, as pessoas são as principais afetadas.

Há décadas que negamos os alertas da ciência. A atividade humana desmedida em grande parte das suas atividades (queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás), desflorestação, agricultura intensiva, entre outras), aumenta os gases de efeito estufa, provocando o aquecimento global levando à ocorrência de fenómenos climáticos extremos.

Esta é a mais pura das realidades. Mas existe uma questão essencial: estamos preparados?
A tempestade Kristin expôs, mais uma vez, as fragilidades estruturais da nossa sociedade e evidenciou que não estamos preparados para dar resposta às necessidades mais básicas da nossa população: energia, água, comunicações, vias de circulação.

Na primeira intervenção, foram os municípios, mais uma vez, que estavam na linha da frente. Foi nos autarcas – municípios e freguesias – que os cidadãos encontraram a primeira resposta. São eles que lidam diretamente com os impactos imediatos e são eles o rosto público que mantêm a coesão social, tranquilizam as populações exaustas e garantem as respostas mínimas e de emergência quando tudo falha.

Nestes contextos, é imperativo que as autarquias implementem planos de proteção e medidas de emergência, com duas premissas muito concretas: mitigar e adaptar.

Porque todos devem contribuir para a estabilidade do clima, é importante que os municípios implementem medidas concretas de mitigação com foco na redução de emissões, aposta na eficiência energética, promoção transportes públicos sustentáveis e um reforço das áreas verdes urbanas. É necessário rever o ordenamento do território, impedir construções em zonas de risco, investir em sistemas resilientes para proteção das áreas mais frágeis. É uma escolha de futuro. Territórios mais resilientes é uma escolha de longo prazo.

Mas não tenhamos dúvidas. A realidade que vivemos são resultado das escolhas que temos feito nos últimos anos: a curto prazo poupa-se orçamento, a médio longo prazo, pagam-se indemnizações, reconstruções e, por vezes, vidas humanas.

É necessário – diria mesmo urgente e obrigatório – adaptar! Não podendo resolver o problema global sozinhos, os municípios devem adaptar as medidas de emergência locais para proteger as suas comunidades. É obrigatório implementar medidas que permitam assegurar o funcionamento básico de serviços e prestar apoio direto às populações em situações críticas. Os planos de emergência devem ser redimensionados para que as respostas locais sejam mais abrangentes, mais eficazes e essencialmente, menos dependentes do poder central.

A ocorrência da tempestade Kristin deve constituir no presente um ponto de aprendizagem e no futuro um ponto viragem, onde a premissa essencial será sempre a proteção de pessoas e bens, garantindo sempre o futuro de qualquer território.

https://www.regiaodeleiria.pt/opinioes/pontos-de-vista-em-resposta-as-ultimas-tempestades-as-autarquias-devem-implementar-novos-planos-medidas-de-protecao-civil