Vivemos nestas últimas semanas uma experiência nova, que enquanto comunidade, nunca tínhamos vivido. E se para alguns será apenas isso, uma experiência, para muitos será um duro golpe nas suas vidas que deixará cicatrizes para sempre.
Já para não falar nas vidas que se perderam, quer na tempestade, mas sobretudo nos acidentes pós tempestade Kristin, que ceifaram vidas de pessoas. Para as famílias e amigos nada será possível ver com um filtro de otimismo e de recuperação, mas para os outros é hora de tentar voltar a levantar os ombros e cabeça e seguir em frente.
Se se esqueceram de nós nos primeiros três dias, acreditem que estamos prestes a voltar a ficar esquecidos.
Quando as águas recolhem, se limpa o lixo e se cortam as árvores, depressa deixaremos de ser notícia e assim deixaremos de gerar influência.
Por muito que os nossos autarcas reivindiquem, tudo fará parte de dossiês esquecidos e ultrapassados por assuntos mais interessantes e coletivos. Mas ficamos nós e teremos que permanecer juntos e solidários. Os que estão melhor têm a obrigação de ajudar os que foram mais afetados.
Os nossos autarcas foram de uma forma global um pilar sólido e empenhado na solução dos problemas.
Não posso deixar de destacar Gonçalo Lopes que liderou essa imagem de coletivo e que está a braços com um monte de problemas, mas com as suas gentes do seu lado.
As estórias da tempestade dariam um livro de muitas páginas com desencontros e desacertos, algumas com uma pitada de humor e quase todas com muito drama à mistura.
Fiquei 15 dias sem luz e muitos ainda estão sem luz. Não há bom humor que resista às condições adversas de modo que sempre começava as minhas exposições com o discloser que não tenho luz há x dias. Era o chamado coeficiente de atenuação do mau humor, depressa entendido por quem passou ou estava a passar pelo mesmo.
Temos de agradecer a onda de solidariedade nacional, mas temos de nos estruturar como família. Ultrapassar zangas e divergências e ficar juntos na recuperação.
Politicamente é hora de ser tolerante e razoável. Leiria ficou destruída, mas alguma coisa há-de ter ganho com isto.
O pior sentimento é o abandono. Não deixem ninguém ao abandono. Nas vossas ruas, nas vossas famílias façam o mapeamento das necessidades e ajudem ou peçam ajuda.
Que ninguém fique para trás esquecido. Leiria voltará a brilhar.