Podemos não compreender nem dominar a teoria do Estado e da Constituição, mas todos intuímos que o Estado tem de satisfazer as necessidades básicas dos cidadãos.
Intuímos que o acesso à saúde, à água e à energia ainda que falte será imediatamente reposto. Mas quando passam mais de 15 dias e os tais cidadãos se veem privados de água, de luz e de acesso a cuidados de saúde? E quando a proteção civil e o exército chegam tarde demais? E quando não existe tampouco informação que permita gerir expectativas e encontrar respostas?
Os cidadãos intuíram mal: o Estado não garante essas necessidades, ou porque as delegou na empresa X, ou porque falhou a comunicação, ou porque a realidade é mais complexa do que a imaginação dos seus entes. A resposta que se viu em Leiria deve pouco ao tal Estado: vizinho a ajudar vizinho e depois a chegada de (outros cidadãos) voluntários. Ouviu-se ao longe um Governo a prometer atirar dinheiro, sem empatia e sem capacidade de resposta imediata.
Se o Estado não planeia nem protege, não faz falta. E a culpa é em parte nossa: descorámos a importância da massa crítica nas nossas cidades e vilas (não falo de elites, mas de cidadãos exigentes, incorruptíveis e destemidos).
É tempo de criarmos um país homogéneo, de exigirmos igualdade no tratamento e do fim da condescendência.
Urgem respostas céleres e eficazes e o fim da tolerância para com as causas de desculpa do costume.
Última chamada para todos aqueles que defendem uma vida mais humana fora do conforto das áreas metropolitanas.