O meu testemunho sentido resulta da dura realidade de quem foi vítima da tempestade Kristin e que vive nas freguesias, a poucos quilómetros de Leiria, no meu caso na freguesia de Colmeias e Memória, mas é extensível a outras, nomeadamente Boa Vista, Santa Eufémia, Caranguejeira e Bidoeira.
O Estado e os governantes falharam na resposta atempada, os serviços falharam e continuam a falhar, 21 dias depois na gestão desta crise, a E-Redes e as operadoras de comunicações estão a responder de forma lenta e desproporcional à dimensão desta tempestade.
Milhares de pessoas continuam sem luz nem comunicações; quando referem o número de clientes estão a minimizar a situação pois cada cliente tem várias pessoas agregadas assim estão em causa ainda só nas freguesias circundantes de Leiria muitos milhares de pessoas
A tempestade atingiu na freguesia de Colmeias, na zona do Barracão, ventos superiores a 250 km/hora; fábricas e casas foram literalmente destruídas. O governo deveria prolongar o estado de calamidade nas freguesias e são muitas que continuam sem luz e comunicações.
As despesas têm sido muitas face à calamidade, nomeadamente com compra de geradores, combustível, já para não falar dos prejuízos não quantificáveis dos alimentos em arcas que descongelaram, no meu caso foram centenas de euros.
Por último, os seguros não estão a atuar de forma célere, os peritos 21 dias depois da participação, como no meu caso, ainda não aparecerem nem deram sinal de vida. Os bancos, mesmo depois de questionados sobre aplicação da moratória prevista no decreto lei nº 31-B/2026, de 5 de fevereiro, pura e simplesmente ignoram e não respondem aos clientes.
As operadoras de comunicações, de forma vergonhosa, para além de não reparem os serviços em tempo útil aos clientes ainda debitam as faturas de serviços não prestados relativos ao mês de fevereiro.
No meio do caos tudo falha, principalmente o Estado, a E-Redes, as seguradoras, os bancos e, por fim, as operadores de comunicações, que deveriam ser eficazes e são as piores.
Isto não é uma falha do sistema, é um abandono dos cidadãos das freguesias, algo só possível num país de terceiro mundo.