Passaram algumas semanas desde que a tempestade Kristin colocou a vida de muitas famílias do avesso.
Por esta altura, estarão ainda estruturas por consertar, apoios por receber ou eletricidade por restabelecer. As escolas estão a tentar trazer a normalidade possível, no meio das ruas despidas e edifícios fragilizados, tornando impossível (e indesejável) aligeirar tudo o que foi vivido. E o que foi vivido pode deixar marcas emocionais silenciosas, que só dentro de algum tempo é que se poderão manifestar.
Devemos estar muito atentos à saúde mental das crianças e jovens. A interrupção das aulas, a mudança para casa de familiares ou os constantes avisos de novas tempestades podem gerar intensa ansiedade, irritabilidade ou dificuldades em dormir.
Em adolescentes, podem surgir sentimentos de impotência, revolta ou apatia, sobretudo quando percebem a dimensão das alterações climáticas e a incerteza face ao futuro.
A destruição de espaços de convívio, como parques e campos desportivos, reduz oportunidades de lazer e contacto entre pares, fundamentais para o bem-estar. Em famílias já vulneráveis, o stress financeiro pós-catástrofe aumenta o risco de conflitos e de negligência involuntária.
A forma como os adultos lidam com o que vai acontecendo faz toda a diferença. Os mais novos precisam de receber informação clara e honesta, de serem escutados com toda a atenção e de verem as suas rotinas restabelecidas.
As escolas têm um papel essencial ao criar espaços seguros para falar sobre o que aconteceu e validar emoções. É fundamental assegurar que é possível aprender a lidar com calamidades futuras, evitando resistir à tentação de prometer que “não volta a acontecer”.