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Moradores criam petição para travar pecuária na Mata Mourisca

Os moradores lembram que não é apenas a Mata Mourisca que sairá afetada. São mais de 10 localidades.

leitões, porcos

É a terceira vez que a população se junta para tentar impedir o licenciamento de uma suinicultura na Mata Mourisca de Baixo. Desta vez, os habitantes criaram um abaixo-assinado, que pretendem fazer chegar à assembleia municipal, e uma petição pública.

Na última semana, houve uma reunião que juntou a comunidade da Mata Mourisca para debater o tema. Contactado pelo REGIÃO DE LEIRIA, o representante dos moradores diz que não foi encontrado “nenhum fator positivo” que resulte da instalação da pecuária na freguesia.

O porta-voz começa por explicar que a Mata Mourisca tem perdido muitos espaços de comércio nos últimos anos e agora, com o projeto para ampliação do parque de merendas local, havia a “esperança de que fosse possível atrair mais pessoas e comércio”.

Mas com a divulgação da possibilidade da Câmara vir a licenciar uma pecuária com “1.800 animais”, “quem no seu perfeito juízo vai querer instalar o seu negócio na Mata Mourisca?”. “Quem é que vai querer construir depois de saber que há lá uma pecuária?”, questiona.

Outro problema prende-se com a consequente “desvalorização das habitações e dos terrenos” e o cheiro provocado, que vai “afetar todos os lugares à volta”. Os moradores lembram que não é apenas a Mata Mourisca que sairá afetada. São mais de 10 localidades, entre as quais Louriçal, Vale da Sobreira, Foz, Moita do Boi, Biqueiras, Castelhanas e outras. Todas estas localidades estão representadas no movimento informal que está a contestar o licenciamento.

Há ainda uma grande preocupação face à forma como a empresa em questão faz o tratamento dos resíduos. “Os habitantes de Colmeias e Milagres, onde a empresa tem pecuárias, deram um feedback péssimo. Dizem que há dias em que não conseguem abrir uma janela, o cheiro é insuportável, há muitas moscas”.

“A empresa tem um histórico negativo [no que diz respeito ao tratamento dos resíduos]”, defendem os habitantes da Mata Mourisca.

O movimento está também indignado com o parecer da Agência Portuguesa do Ambiente, que dizem saber que foi positivo, embora ainda não tenham tido acesso ao mesmo. “Não conseguimos compreender, tendo em conta que não faltam ribeiras naquela zona”. “Temos muito receio de que haja contaminação”.

Até 27 de janeiro, a junta ainda não tinha submetido o seu parecer, mas o autarca Nelson Matias assegurou estar ao lado da população.