A Câmara de Alvaiázere contabilizou 60 milhões de euros de prejuízos na sequência do mau tempo, disse hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, que alertou que o município não tem capacidade financeira para recuperar o território.
“Já reportámos a todas as entidades que nos solicitaram, inclusive à CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro], a enormidade de danos que tivemos em Alvaiázere, seja em infraestruturas públicas, seja em IPSS [instituições particulares de solidariedade social], associações, mesmo no património cultural, religioso. É um valor muito grande, mais de 60 milhões de euros”, declarou João Paulo Guerreiro.
À margem de uma reunião da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, que hoje decorre em Castanheira de Pera, João Paulo Guerreiro adiantou que o município vai agora analisar com a CCDR Centro a forma como a autarquia vai “conseguir recuperar tudo isto”.
“Pensei que, no apuramento de danos, não fosse tanto, pensei que andássemos por cerca da metade deste valor, mas, efetivamente, considerando tudo aquilo que é a necessidade de intervenção na floresta, nos caminhos florestais, nas linhas de água, nas infraestruturas municipais, é um valor realmente muito grande que nós não temos capacidade financeira no município para recuperar”, frisou.
O presidente da Câmara explicou que, nesta fase, há uma “preocupação muito grande, que são os incêndios rurais”.
“Já somos um território muito vulnerável e estamos muito preocupados com a desobstrução de estradas, com a limpeza das florestas”.
Se não for feito trabalho neste âmbito, o concelho corre o risco de, daqui a três meses, estar “outra vez em catástrofe, em aflição”, advertiu.
“Até agora, é meu entender que os meios disponibilizados não estão a ser suficientemente rápidos, nem suficientemente robustos para podermos dar uma resposta rápida, porque temos aqui uma janela de dois ou três meses para fazer a intervenção”, destacou, realçando a importância da “intervenção na recuperação da floresta, nos caminhos florestais, para que os bombeiros possam atuar em segurança caso venha a haver incêndios”.
Quanto à reconstrução, João Paulo Guerreiro disse ter noção de que “tem de ser feita com mais calma, com mais tempo”, declarando-se confiante de que, quer a CCDR Centro, quer o Governo, “estão sensíveis a esta situação e vão, para além daqueles meios e mecanismos que já estão disponibilizados”, dar “mais meios e mais mecanismos” para que se consiga reerguer o concelho.
“Os alvaiazerenses são muito resilientes, queremos retomar mais fortes do que o que estávamos antes da tempestade do dia 28 de janeiro”, dia em que a depressão Kristin atingiu gravemente o concelho.