Nove associações de diferentes sectores criticam a demora na chegada dos apoios às empresas e lamentaram a inexistência de financiamento direto que pudesse fazer face às dificuldades imediatas.
O porta-voz dos empresários, António Poças, sublinhou que as medidas propostas pelo Governo foram rápidas e positivas, no entanto, “ainda não estão a chegar às empresas”.
“Essa é a nossa crítica e deveria ter havido, nomeadamente para as pequenas empresas, medidas mais diretas de apoio, de chegar o dinheiro muito rapidamente, e não como projetos de financiamento, empréstimos e outras coisas que dificultam a chegada do dinheiro”, acrescentou António Poças.
O porta-voz falou numa conferência de imprensa ontem, em Leiria, em representação da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara do Comércio, Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes, APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria, ANEME – Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas, Aricop – Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém, Acilis – Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, Centimfe – Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, Associação Empresarial do Concelho de Pombal.
Os empresários lamentam que a resposta das várias entidades não seja efetiva.
“Apreciamos o esforço que está a ser feito de apoio, algumas medidas são mesmo muito significativas, mas enquanto não chegarem… Se disserem a uma empresa que está com dificuldades, que daqui a cinco anos lhe vão dar um milhão de euros, é espetacular. Mas se ela não tiver dinheiro para pagar os salários hoje, quando aquele dinheiro vier, já não está cá a empresa”, exemplificou António Poças.
Por isso, insistiu que “as medidas de curto prazo têm de chegar muito rapidamente às empresas” e depois haverá preocupação com as “medidas de médio prazo, de reestruturação, de reconfiguração do tecido empresarial”, um trabalho que está a ser desenvolvido em conjunto com a Estrutura de Missão.
As críticas são extensíveis às seguradoras e à banca comercial. O porta-voz das associações considerou que “as seguradoras deviam ter feito adiantamentos” e “agilizado os processos o suficiente para ser um apoio efetivo à recuperação”.
“Também achamos que a banca comercial devia olhar para estes financiamentos que vêm via Banco de Fomento, de uma maneira mais rápida, porque estamos numa situação de emergência”, salientou.
Segundo António Poças, a banca está a apreciar estes processos no âmbito da tempestade Kristin como faria numa situação normal e “estes empréstimos têm apoio em 80% do Banco de Fomento, portanto o risco é muito menor”.
“Só 26% das empresas que têm os processos a andar de linhas de crédito, ou seja, um quarto, é que têm de facto dinheiro na conta. Numa situação de calamidade e de dificuldade de fazer negócios, estas garantias reais estão a ser algo que é difícil de entender”, reforçou.
O empresário considerou ainda que o Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), os apoios da Segurança Social e do Instituto de Formação e Emprego Profissional também não estão a entrar “na conta das empresas mais rapidamente para elas aguentarem este período aqui mais difícil”.