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Psicólogos revelam estratégias para lidar com a ansiedade que afeta um em cada cinco jovens

André Nogueira e Filipa Nogueira explicam neste consultório a que sinais devemos estar atentos e como é que se pode regular a ansiedade no dia a dia, com estratégias simples.

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo dos níveis de ansiedade entre os jovens. Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística indicam que cerca de um em cada cinco jovens em Portugal apresenta sintomas de ansiedade ou depressão, sendo esta prevalência mais elevada na faixa etária dos 15 aos 24 anos.

Uma das razões para este aumento parece estar relacionada com o período pós-pandemia, isto porque, durante os períodos de confinamento, muitos jovens passaram a depender das redes sociais para manter contacto com amigos e familiares. Embora estas plataformas tenham facilitado os relacionamentos, também trouxeram uma exposição constante a comparações sociais e sobrecarga de informação, fatores que podem amplificar sentimentos de stress.

O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma resposta natural do organismo perante situações de ameaça, pressão ou incerteza. Em níveis moderados, pode ser adaptativa, ajudando-nos a estar mais atentos, focados e preparados para agir. No entanto, quando se torna excessiva, persistente ou desproporcional face às exigências do dia a dia, pode começar a interferir com o bem-estar geral.

A ansiedade pode manifestar-se de formas diversas, sendo importante reconhecer os seus sinais:

Físicos: aceleração do ritmo cardíaco, sensação de falta de ar, tensão muscular, sudorese, tonturas ou desconforto gastrointestinal.

Psicológicos: preocupação excessiva, pensamentos catastróficos, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de perda de controlo.

Comportamentais: evitar situações, procrastinação e alterações nos padrões de sono ou alimentação.

Estratégias para gerir a ansiedade

Existem várias estratégias que podem ajudar a regular a ansiedade no dia a dia. É importante sublinhar que estas são orientações gerais e que cada jovem pode precisar de abordagens adaptadas à sua situação:

Respiração consciente: uma forma eficaz de acalmar o sistema nervoso é a respiração diafragmática. Consiste em inspirar lentamente pelo nariz, sentindo a barriga a expandir-se, e expirar suavemente pela boca, prolongando a saída do ar e esvaziando a barriga.

Rotinas equilibradas: horários regulares de sono, alimentação e estudo contribuem para maior estabilidade emocional.

Exercício físico: ajuda a reduzir a tensão e melhora o humor.

Gestão do consumo de informação: limitar o tempo nas redes sociais e incluir pausas durante o dia.

Falar sobre os sentimentos: seja com pessoas de confiança ou com um profissional.
Em contextos específicos, como períodos de exames ou transições escolares, a ansiedade tende a intensificar-se. Nesses momentos, estratégias como dividir o estudo em tarefas pequenas, simular situações de avaliação e normalizar algum nível de nervosismo podem reduzir a sobrecarga emocional. É fundamental também dar tempo ao processo de adaptação e validar as emoções envolvidas durante mudanças significativas, como a transição para um novo ciclo ou escola.

Ataques de pânico

Um ataque de pânico é um episódio súbito de ansiedade intensa, frequentemente acompanhado por sintomas físicos marcantes, como palpitações, falta de ar ou sensação de desmaio. Nesses momentos, focar na respiração e recorrer a técnicas de ancoragem ao presente, como identificar elementos do ambiente, pode ajudar a recuperar o controlo. Apesar do desconforto, um ataque de pânico é passageiro e não representa perigo real.

Embora a ansiedade seja uma experiência comum, não deve ser desvalorizada quando começa a limitar a qualidade de vida, o desempenho académico ou as relações interpessoais. A intervenção precoce é fundamental para promover o equilíbrio emocional e o desenvolvimento saudável.

André Nogueira, psicólogo clínico
Filipa Nogueira, psicóloga clínica