O Cistermúsica caminha para a reta final, mas há ainda muito para ver e ouvir no Festival de Música de Alcobaça, que lança para os próximos dias mais um conjunto bem diversificado de propostas.
Já esta quinta-feira, dia 23 de julho, o Vocal Ensemble, de Vasco Negreiros, leva ao Refeitório do Mosteiro de Alcobaça (21h30, 12 euros) o universo espiritual de Orlando di Lasso, em “Lagrime di S. Pietro”, onde o compositor traduz musicalmente o arrependimento de São Pedro após negar Cristo.
Antes, ao final da tarde, a obra de Orlando di Lasso inspira uma conversa entre Vasco Negreiros, Javier Castro e Tiago Morin no Armazém das Artes (19h, entrada livre), sobre a figura especial do compositor e as principais características da sua invenção criativa, à luz do seu tempo.
Sexta-feira, dia 24, há outro momento alto do festival: com o projeto do Quodlibet Quintet, o pianista Daniel Bernardes revisita a obra de Johann Sebastian Bach a partir de uma linguagem jazzística. Para tamanho desafio, o pianista e compositor natural de Alcobaça formou um super-grupo com Ricardo Toscano (saxofone e clarinete), João Barradas (acordeão), Demian Cabaud (contrabaixo) e Mário Costa (bateria). Este diálogo entre improvisação e legado barroco acontece no claustro D. Dinis do Mosteiro de Alcobaça (21h30, 15 euros)
O festival regressa, no sábado, dia 25 (19h, entrada livre), à frescura do bosque da ala sul do Mosteiro, com os sons quentes do senegalês Momi Maiga. A residir em Espanha, o músico, virtuoso da kora, conquistou reconhecimento internacional pela forma como cruza tradições musicais da África Ocidental com o jazz, flamenco e música clássica. Acompanham-no Carlos Montfort (violino e voz), Aleix Tobias (bateria e voz) e Oriol Català (violoncelo e voz).
À noite do mesmo dia (21h30, 15 euros), a Cerca do Mosteiro, há encontro marcado entrre a Banda Sinfónica de Alcobaça e o Maat Saxophone Quartet. Distinguido pela crítica e presença regular em algumas das mais prestigiadas salas europeias, o grupo português apresenta em Alcobaça uma obra acabada de estrear e feita à medida para quarteto de saxofones e banda sinfónica. O programa inclui peças de Guillermo Lago e Manuel de Falla, e encerra com uma estreia absoluta, “Correntes”, de Carlos Filipe Cruz, encomendada pelo festival.
Para domingo, dia 26 (18h, 12 euros), anuncia-se no Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel a atuação do ensemble Ex Tempore. A partir de um programa organizado em torno do tema do festival, “Ressurreição”, ouvem-se obras de Samuel Barber, Gustav Mahler, Fernando Lopes-Graça e Antonin Dvorak.
Para lá de Alcobaça, o Cistermúsica leva ainda música às serras de Porto de Mós, em mais um espetáculo do Ciclo de Concertos em Meio Natural, e também a Famalicão, na Nazaré.
No parque de lazer do Barreiro Novo, em Telhados Grandes, na freguesia de São Bento, Porto de Mós (17h, entrada livre), o coletivo Cindazunda (com instrumentos como o saxofone soprano, flauta transversal, contrabaixo ou acordeão diatónico) apresenta “Enleio”, exercício intimista, que parte das danças e melogias da tradição, improvisação e criação contemporânea, para propor um espetáculo em que cada som respira e ganha significado.
Ainda no domingo (19h30, entrada livre), na Igreja Paroquial de Nª Srª da Vitória, em Famalicão, Nazaré, o Coro da Banda de Alcobaça interpreta “Lux aeterna”, a partir da antiga oração da liturgia dos defuntos, evocando a esperança que une este programa.
A semana seguinte, a última desta edição, arranca na quarta-feira, dia 29 (21h30, entrada livre) com um recital de canto e piano de Eterno Feminino. Na Igreja de São Martinho do Porto, propõe-se uma viagem sensível e reveladora pelo universo criativo de compositoras do século XIX e início de XX que, apesar do talento extraordinário, foram, durante muito tempo, marginalizadas na história da música. São os casos de Cécile Chaminade, Lili Boulanger, Fanny Hensel, Amy Beach e Pauline Viardot.
Mais informações e links para bilhetes disponíveis em https://www.cistermusica.com/pt/programacao. Alguns concertos indicados como tendo entrada livre carecem de reserva.