O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) de Leiria, em fase de elaboração e discussão, pretende aproximar as freguesias da cidade e garantir a qualidade de vida de quem vive no concelho, defende o presidente do município, Gobnçalo Lopes.
Composto por oito eixos e 74 ações, algumas já implementadas, outras em fase de projeto, estudo ou a iniciar, o PMUS de Leiria tem, este mês, uma fase relevante, com a apresentação, consulta, discussão e aceitação de propostas.
A votação em reunião de Câmara e Assembleia Municipal está agendada para setembro para que, a partir daí, todas as iniciativas sejam postas em prática até 2035, anunciou a autarquia na semana passada, em conferência de imprensa.
“É um plano estratégico, do ponto de vista não só da mobilidade, mas da qualidade de vida de Leiria”, resumiu o presidente da Câmara de Leiria, na apresentação do PMUS Leiria, no Centro de Interpretação Ambiental de Leiria.
Gonçalo Lopes disse que “se a alta velocidade vai aproximar Leiria de Lisboa e do Porto, este plano vai aproximar as freguesias da cidade”, e defendeu que o plano reflita “uma visão para todo o concelho”.
O autarca admitiu que se trata de “um tema muito sensível”, recordando “a forte contestação” que um plano semelhante – o Plano Estratégico de Mobilidade e Transportes – gerou há cerca de uma década.
“É das discussões mais difíceis de fazer do ponto de vista político, porque é um tema onde toda a gente tem opinião – sobretudo aqueles que andam de carro. O discurso e a discussão não pode ser a do carro, tem de ser Leiria”, frisou.
Alterar a mobilidade é, “muitas vezes, contrário à expectativa das pessoas” e, por isso, a Câmara de Leiria quer “grande comunicação, participação e esclarecimento”.
“Se as ações que vamos propor não tiverem este esforço de envolvermos as pessoas nas decisões, os que hoje dizem que querem a rua fechada, amanhã dizem que a querem aberta”, exemplificou.
Politicamente, Gonçalo Lopes garantiu ir “obrigar os partidos [da oposição] a serem muito claros naquilo que querem”, para conseguir “a maior abrangência política possível”.
“Este plano não pode ter como base o populismo. Não é só quem governa que tem de assumir responsabilidades. Que este plano não seja uma arma de arremesso político por parte dos partidos que não governam a Câmara, que na reunião de Câmara defendem uma coisa e na rua, ao pé dos comerciantes, defendem o seu contrário”.
O PMUS de Leiria ganha importância face ao crescimento populacional:
“Afinal não somos 130 mil, somos 145 mil, foi confirmado há umas semanas”, lembrou, sobre os dados do INE para 2025 revelados em junho.
“15 mil pessoas a mais faz mossa. Mesmo assim consegue-se aguentar cá dentro [na cidade], com exceção das horas de ponta, em que existe já uma mudança”, reconheceu Gonçalo Lopes.
“Houve uma explosão demográfica. Estamos habituados a ter uma qualidade de vida que foi alterada”, notou.
Por isso, é necessário agir, porque “a mobilidade cruza-se não só com o transporte público, mas com o ambiente, a habitação e, sobretudo, o crescimento urbano”.
O PMUS que Leiria prepara “já não é só uma questão de transporte público ou de pedonalizar, é uma questão de qualidade de vida”, aproximando o concelho dos padrões definidos pela União Europeia.
“A questão é saber se Portugal, e em particular Leiria, está preparado para entrar nesta discussão, ou se vamos continuar a discutir quantos lugares de estacionamento ficam à porta ou onde é a zona de cargas e descargas e a galgar passeios e a ser multados, porque ‘só parei para ir à farmácia’”, criticou.
O PMUS de Leiria tem uma sessão pública de apresentação no dia 4 de agosto, às 21h30, no auditório do Estádio Municipal de Leiria. Ficará disponível para consulta entre 5 e 15 de agosto. Foi criado um endereço eletrónico para sugestões e contributos em pmus@cm-leiria.pt.
“Gostávamos muito que houvesse uma participação responsável, de cidadania, cívica. Não pensem só no curto prazo. Olhem para Leiria daqui a dez anos” e “não só no dia de hoje”, apelou o presidente da Câmara de Leiria.
VP disse:
Se os condutores em Leiria simplesmente aprendessem a obedecer à sinalização e aos limites de velocidade, a dar prioridade nas rotatórias e a estacionar onde é permitido, em vez de onde lhes convém, 90% do problema estaria resolvido. Nem mesmo nos quadrinhos da Walt Disney, como o Mickey Mouse, o trânsito é tão ruim quanto em Leiria, onde parece cena de comédia.