Rafael Reis era o favorito, mas foi Tiago Antunes que conquistou o ouro para Portugal no contrarrelógio dos Jogos do Mediterrâneo, com o ciclista do Bombarral a coroar com o título em Taranto2026 uma época de sonho.
Primeiro a partir para o contrarrelógio de 17 quilómetros na cidade italiana, o corredor do distrito de Leiria fixou um tempo que mais ninguém conseguiu bater, nem mesmo Reis, que conquistou a sua segunda medalha consecutiva em Jogos do Mediterrâneo, após ter-se sagrado campeão em Oran há quatro anos.
“Quando vimos para aqui, sonhamos sempre em ganhar uma medalha. […] É bastante bom, é uma grande vitória, por assim dizer. Ganhar por Portugal ainda simboliza mais aquilo que é uma vitória e estou bastante feliz”, assumiu Tiago Antunes, em declarações à agência Lusa.
O título em Taranto2026 coroa uma época espetacular do ciclista da Efapel, de 29 anos, que venceu a Volta ao Alentejo e o ‘seu’ Troféu Joaquim Agostinho e ainda foi sexto na Volta a Portugal, que acabou há menos de uma semana.
“É verdade que este ano tenho feito uma grande temporada e chegar aqui com uma medalha é muito importante. Representar o nosso país é incrível e conseguir a medalha era um objetivo que nós tínhamos”, revelou o corredor de 29 anos, que foi oito segundos mais rápido do que o cipriota Bogdan Zabelinskiy, segundo, e do que Reis, que fechou o pódio.
Tiago Antunes foi o primeiro a sair para a estrada e os seus 20m05s foram um verdadeiro tempo de referência para os ciclistas que lhe seguiram, mesmo que o português não tenha tido direito a ‘hot seat’, inexistente em Taranto2026.
“Num contrarrelógio como este, com uma distância tão curta, é partir ao máximo. Foi isso que eu pensei, foi dar tudo pela camisola de Portugal”, resumiu
Esperava-se que Rafael Reis baixasse o registo do seu compatriota no ponto intermédio, mas o campeão de Oran2022 fez ali nove segundos pior, ‘denunciando’ que dificilmente revalidaria o título.
As indicações dadas por ‘Rafa’ na estrada confirmaram-se na meta, que cortou com o terceiro melhor tempo, depois ter alargado uma trajetória numa curva à direita.
“Eu queria [ganhar]. Tinha vencido há quatro anos e tinha esse objetivo em mente. Agora, que acabou…”, desabafou, com o bronze ao peito.
Embora tenha reiterado à Lusa que, nesta fase da carreira, o importante para si é “mesmo ganhar”, o palmelense de 34 anos garantiu que custa menos perder para um compatriota, confidenciando que os dois ciclistas lusos acreditavam que poderiam conseguir duas medalhas hoje.
“O Tiago está num excelente momento, está um ciclista consolidado, tem demonstrado isso durante a época. A verdade é que ele merece também esse resultado, esta vitória, e a estrada demonstrou isso”, concedeu Reis.
O Município do Bombarral destacou a conquista como “um feito extraordinário que nos enche de orgulho e que é reflexo do seu talento, trabalho e dedicação”.
Tiago Antunes volta a competir, a 24 de agosto, para disputar a prova de estrada.