O trabalho coletivo de Portugal foi hoje recompensado com a prata de Tiago Antunes na prova de fundo dos Jogos do Mediterrâneo, com o ciclista do Bombarral a despedir-se de Taranto2026 com duas medalhas.
Dois dias depois de sagrar-se campeão no contrarrelógio, Antunes foi o responsável pelo ataque que decidiu o pódio, mas acabou batido ao sprint pelo especialista italiano Tommaso Dati no final dos 133,3 quilómetros da prova masculina, com o duo a deixar o também ‘local’ Federico Iacomoni a um segundo.
“Perfeito só com dois ouros. A verdade é que sabíamos que hoje a nossa seleção era bastante forte, tínhamos muitas possibilidades de ganhar medalha”, reconheceu à agência Lusa o ciclista duplamente medalhado por Portugal.
A prata de Antunes, que concluiu a prova em 2:59.52 horas, teve muito ‘dedo’ dos seus colegas de equipa, com Portugal a trabalhar hoje verdadeiramente com um propósito único.
“Todos vestiram o espírito do que é representar a bandeira de Portugal, todos corremos por um objetivo e, no final, conseguimos uma medalha”, elogiou o vice-campeão, não esquecendo o mérito de Pedro Silva, sétimo, Rafael Reis e Afonso Silva, que chegaram na 21.ª e 22.ª posição, respetivamente.
O grego Georgio Bouglas, o esloveno Mihael Stajnar, o sérvio Ognjen Ilic e o turco Ahmet Örken isolaram-se nos primeiros quilómetros dos 133,3 da prova de fundo, mas a sua iniciativa ficou automaticamente condenada quando uma dezena de corredores saltou do pelotão.
Nesse grupo estavam Antunes e Reis, que trabalhou longos quilómetros, primeiro, para alcançar o quarteto e, depois, na perseguição ao cipriota Bogdan Zabelinskiy, apanhado a 46 quilómetros da meta.
Foi nesse momento que o ciclista do distrito de Leiria e campeão do contrarrelógio de Taranto2026 acelerou para levar consigo apenas os italianos Tommaso Dati e Federico Iacomoni.
“O percurso não era tão duro como queríamos para o nosso género de corredor, para as nossas características. Tentámos endurecer tudo ao máximo, na última subida do dia eu tentei atacar para me isolar, infelizmente seguiram dois italianos comigo”, descreveu, em declarações à agência Lusa.
O trio ganhou mais de 40 segundos de vantagem para um grupo perseguidor, onde seguia Pedro Silva, o terceiro classificado da Volta a Portugal que hoje foi sétimo, a 1.34 minutos do vencedor.
À entrada dos 10 quilómetros finais, Antunes e companhia tinham um minuto de vantagem e a menos de 4.000 metros da meta os italianos começaram a testar o português, com ataques a que o vencedor do Troféu Joaquim Agostinho foi respondendo sem problema.
Lançado o sprint, o corredor do Bombarral não teve hipótese, com o veloz Dati a confirmar as suas credenciais.
“No final, tentei jogar a minha cartada ao sprint, mas não foi possível. Eu considero-me um corredor rápido, mas sabíamos de antemão que aquele corredor era bastante perigoso, já tinha vencido várias corridas ao sprint este ano. Perdi a corrida, mas sinto que perdi para o melhor”, concedeu.
Antunes nem hesita em admitir que “sem dúvida alguma” esta é a melhor época da sua carreira, que começou como estagiário na SEG Racing Academy em 2018.
“Já o era até à data, já o era até à Volta a Portugal e agora acho que é uma época difícil de superar”, assumiu.
Vencedor também da Volta ao Alentejo, o sexto classificado da Volta2026 quer agora festejar as duas medalhas conquistadas em Taranto2026, porque a celebração pelo ouro não foi tão grande quanto os ciclistas portugueses queriam.
“Tentámos manter a calma, sabíamos que havia outra corrida dentro de dois dias e o importante era recuperar. Recuperámos bastante bem e demonstrámos outra vez o nosso valor. Agora sim, acho que hoje merecemos uma fatia de pizza”, brincou.
Questionado pela Lusa se iria pedir férias ao diretor desportivo da Efapel, José Azevedo, Antunes riu-se, mas garantiu que não.
“Gosto daquilo que faço e enquanto houver corridas, irei dar o meu melhor. Seja por Portugal, seja pela Efapel”, concluiu.