É inadmissível que, em pleno séc. XXI, continuemos a assistir a estes crimes ambientais impunemente, que afetam a saúde pública e o ecossistema do rio. É preciso pressionar os serviços de fiscalização a identificar a origem da descarga, cessar a poluição e exigir a reposição da legalidade ambiental.
Susana Ferreira, Leiria
No final de setembro, Susana Ferreira, de Leiria, detetou “uma descarga contínua de efluentes, aparentemente águas residuais e esgoto sem qualquer tratamento, para o rio Lis, junto ao jardim da Almuinha Grande, nas imediações da ponte Euro 2004”. “Além do impacto ecológico destrutivo”, registou um “odor nauseabundo”, tendo reportado a situação à Câmara de Leiria.
Contactada pelo REGIÃO DE LEIRIA, a autarquia remeteu esclarecimentos para os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), por haver registo de episódios anteriores de descargas de saneamento naquele ponto.
Já os SMAS confirmam terem identificado “uma descarga através do coletor de emergência, associada a uma obstrução parcial do coletor principal”. Segundo explica Ricardo Gomes, diretor-delegado, em resposta ao REGIÃO DE LEIRIA, “a descarga teve origem num entupimento da caixa do Maringá, na rua de São Francisco”, devido “à acumulação de resíduos que não deveriam ser lançados na rede”. O normal funcionamento do coletor ficou reposto no dia 6, após limpeza e desobstrução da rede efetuadas com recurso a um camião hidrolimpador, acrescenta.
Para a redução deste tipo de ocorrências, o responsável realça a realização de “ações de manutenção e vigilância da rede de saneamento” e de “campanhas de sensibilização para a sua correta utilização”. Destaca ainda a empreitada em curso para a requalificação do Caneiro, que visa “reforçar a resiliência da infraestrutura”.
Ricardo Gomes salienta ainda que os SMAS dispõem de “equipas e meios técnicos dedicados à operação, vigilância, manutenção e limpeza da rede de saneamento”, intervindo “, assegurando um acompanhamento das infraestruturas e a intervenção “sempre que são identificadas situações suscetíveis de comprometer o seu normal funcionamento”.
Reforçando a importância da correta utilização da rede de saneamento, “uma vez que a deposição de resíduos inadequados pode provocar obstruções e comprometer o normal funcionamento das infraestruturas”, apela à comunicação de quaisquer anomalias na rede através do número verde dos SMAS (800 202 252), de modo a permitir a identificação precoce de ocorrências e rápida intervenção das equipas.