O clube Quinta dos Lombos veio a público manifestar o seu “repúdio” pelos “atos cobardes de racismo” que terão ocorrido na quarta-feira, dia 4, durante o jogo com a AR Amarense, na Batalha. O clube da Associação de Futebol de Leiria também já esclareceu a sua posição e rejeita qualquer acusação.
O caso terá acontecido no jogo em atraso da II divisão nacional de futsal, referente à 5.ª jornada, em que a AR Amarense perdeu por 1-6, com um hat-trick de Milton Dias.
Ora é precisamente sobre este atleta que se centra esta história. Segundo Jorge Vieira, presidente da direção da Quinta dos Lombos, numa nota publicada na página de Facebook, o clube manifesta “total solidariedade” com o jogador e exige “das autoridades competentes o rigoroso apuramento dos fatos e a punição exemplar dos responsáveis”.
“O racismo é uma grave violação dos direitos humanos e constitui crime inafiançável e imprescritível, nos termos da legislação vigente. Não há espaço na nossa sociedade para atitudes discriminatórias, ofensas à dignidade humana ou qualquer manifestação de intolerância baseada em cor, raça, etnia ou origem”, refere o comunicado.
Também o jogador mencionado recorreu às redes sociais para denunciar “vários episódios de racismo” de que foi vítima, “protagonizados por dois jogadores da equipa adversária e por um elemento presente na bancada”.

“Não me revejo nestas atitudes e sinto-me ofendido pelo sucedido”, diz, apresentando a sua versão.
“Durante o jogo, um dos jogadores começou por me provocar e dirigir insultos. Percebendo que não estava a conseguir obter qualquer reação da minha parte, optou por recorrer a comentários de natureza racista. Um comportamento que considero absolutamente inaceitável e perante o qual não posso, nem vou, ficar em silêncio. O segundo episódio aconteceu já na parte final do encontro. Um outro jogador dirigiu-se a mim com insultos, incluindo ofensas à minha mãe, seguindo-se novamente comentários racistas. De referir que não fui o único a ouvir essas palavras. Por último, após marcar o meu terceiro golo e beijar o braço, gesto que faz parte da minha celebração, foram proferidos comentários na bancada que, depois de assistir às imagens do jogo, percebi serem de natureza racista e dirigidos à minha cor de pele”, descreveu o atleta.
“Não estamos perante uma simples provocação ou palavras ditas no calor do momento. Estamos perante comportamentos graves, repetidos e inaceitáveis, que não podem ser normalizados, relativizados ou ignorados, seja no desporto ou em qualquer outro contexto. O desporto deve ser um espaço de respeito, igualdade e fair-play. Ninguém deve ser obrigado a ouvir ou suportar ataques à sua dignidade, à sua origem ou à cor da sua pele. (…) Pretendo, sim, deixar claro que o racismo não pode continuar a ser tratado como algo normal no desporto e fora dele”, acrescenta.
A direção da AR Armarense reagiu, também pelas redes sociais, dizendo que tomou conhecimento através da nota divulgada pelo Quinta dos Lombos e “rejeita, de forma veemente, qualquer insinuação de comportamento racista por parte do seu atleta ou de qualquer outro elemento vinculado” à instituição.
“A AR Amarense pauta a sua atuação pelos mais estritos valores do respeito, da inclusão, da igualdade e do fair play, repudiando taxativamente qualquer manifestação de discriminação, racismo ou intolerância no desporto e na sociedade”, indica em comunicado.
O clube da Batalha, que subiu este ano à II divisão nacional de futsal, em seniores masculinos, refere que durante o jogofoi ativado o “protocolo de racismo” por iniciativa de um atleta do Quinta dos Lombos, mas “nenhum dos intervenientes – incluindo atletas de ambas as equipas, equipas técnicas e a própria equipa de arbitragem – testemunhou ou se apercebeu de qualquer ofensa ou provocação de cariz racista”.
A AR Amarense manifesta “a sua total solidariedade e plena confiança no seu atleta” e “condena a forma como o bom nome, a honorabilidade e a reputação” da instituição “foram infundadamente postos em causa”.
Concluí a publicação, considerando que “a ativação de um mecanismo com a gravidade do ‘protocolo de racismo’ exige uma conduta altamente séria, idónea e responsável” e mostrando-se disponível para colaborar com as instâncias responsáveis no apuramento da verdade.