São diversas as áreas no ensino superior que registam desemprego zero entre os seus diplomados. Os registos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, revelados no Portal InfoCursos, mostram que dependendo da instituição, há diplomados que podem ser profissionais de tradução, músicos, professores, mas também criminologistas, por exemplo, que não têm qualquer registo no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Contudo, há uma constante evidente: se olharmos para os cursos com o maior número de diplomados em 2025, os cursos na área da saúde dominam. Exemplo? Medicina. São vários os cursos com muitas centenas de diplomados e sem desemprego. O recorde regista-se na Universidade de Lisboa, com 1.358 diplomados e taxa zero. A enfermagem é outro dos cursos em diversas instituições que também não tem inscritos no IEFP. Em Leiria, Engenharia Civil, da ESTG do Politécnico de Leiria, é a oferta formativa com maior penetração no mercado de trabalho, com zero inscritos. Engenharia e Gestão Industrial, também da ESTG, é o segundo curso com maior empregabilidade no distrito, com 0,5% de taxa de desemprego. Com 0,7% de taxa de desemprego, mas com quase quatro centenas de diplomados, o curso de Enfermagem do Politécnico de Leiria, encerra o topo três do distrito.
De um modo geral, os dados de 2025, deixam claro que os cursos com taxa zero de desemprego concentram-se, de forma bastante clara, em algumas grandes áreas estruturantes. Destaca-se, em primeiro lugar, a área da saúde, que domina amplamente a lista com formações como medicina, enfermagem, fisioterapia, ciências farmacêuticas ou terapias especializadas, refletindo uma procura contínua e estrutural por profissionais clínicos e técnicos.
Surge depois o bloco das engenharias e tecnologias, que inclui desde engenharia civil e eletrotécnica até informática, materiais ou ambiente, evidenciando a necessidade persistente de competências técnicas e de base científica. Uma terceira área relevante é a da educação e desporto, com cursos ligados à formação de professores, educação básica, educação física e áreas artísticas pedagógicas.
Há ainda um conjunto significativo de cursos nas ciências sociais, gestão e direito, como gestão, marketing, psicologia, direito ou comunicação, que, embora mais heterogéneos, apontam para funções organizacionais e de mediação social.
Por fim, surgem áreas mais específicas mas ainda assim consistentes, como as artes e humanidades (música, dança, estudos clássicos), as ciências naturais (física, biologia, geologia) e sectores aplicados como agricultura, ambiente e recursos naturais, compondo um retrato em que a empregabilidade elevada tende a associar-se a necessidades sociais básicas, competências técnicas especializadas e funções estruturais da sociedade.
É clara a existência de cursos em muitas áreas do saber que têm melhor performance no mercado de trabalho que outros. No entanto, o domínio da área da saúde é evidente e o mais transversal.
O que muda no acesso ao ensino superior?
A principal mudança para o próximo ano letivo é a flexibilização das provas de ingresso: os cursos passam a poder exigir entre uma e três provas, quando antes o mínimo era duas.
A medida, anunciada pelo ministro Fernando Alexandre, procura contrariar a quebra de candidatos verificada nos últimos anos.
Paralelamente, há um aumento da oferta, com mais 1.465 vagas, totalizando 78.283, enquanto o valor das propinas se mantém nos 697 euros. No ensino secundário, não há alterações: continuam a ser obrigatórios três exames nacionais para concluir o ciclo.
Já nos concursos especiais (como maiores de 23 ou diplomados de vias profissionais), passam a exigir-se níveis mínimos de literacia e numeracia, bem como competências em inglês. Os candidatos deverão cumprir, pelo menos, o nível 3 do Programa para a Avaliação Internacional de Competências dos Adultos nestas competências.
Preferencialmente, nível B2 de inglês para licenciaturas. As exigências aumentam para ciclos de estudos mais avançados, com níveis mais elevados de literacia e numeracia para acesso a mestrados e doutoramentos, sobretudo nas áreas científicas e tecnológicas.